
Flávio Bolsonaro critica postura político-partidária de Alexandre de Moraes em entrevista na TV Globo (Foto: Instagram)
No dia 16 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, participou de uma entrevista concedida à TV Globo em que direcionou críticas contundentes ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio acusou Moraes de adotar postura político-partidária e de perseguir adversários. Em contraste, o aspirante ao Planalto evitou comentar as suspeitas envolvendo outro integrante da Corte, o ministro Kassio Nunes Marques, manteve-se discreto e não mencionou as relações deste com empresários do setor financeiro.
Durante o debate, Flávio afirmou que Moraes não deveria agir como se estivesse acima do sistema jurídico e que suas decisões estariam contaminadas por interesses partidários. “Ele virou o articulador político do Lula em Brasília”, afirmou o candidato, referindo-se ao papel que atribui ao magistrado no enfrentamento às pautas do atual governo. O senador destacou que toda autoridade pública deve respeitar a neutralidade institucional.
Em relação a Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro e alvo de reportagens que associam seu nome ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, Flávio se limitou a dizer que “todo mundo tem que estar abaixo da lei”. Segundo matéria da revista Piauí, Nunes Marques teria participado de uma festa patrocinada por Vorcaro, mas o candidato à Presidência não opinou sobre a necessidade de abertura de inquérito ou apuração específica contra o ministro.
Documentos obtidos pela Polícia Federal revelam trechos de conversas do diretor do Banco Master, Luiz Rennó, em que ele menciona pagamentos mensais de R$ 500 mil destinados ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Kassio Nunes Marques. Ainda conforme o material, uma consultoria ligada ao magistrado teria recebido cerca de R$ 6,6 milhões do Banco Master entre agosto de 2024 e julho de 2025, valores que reforçam as suspeitas de conflito de interesses em torno do ministro.
Apesar de enfrentar questionamentos sobre essas transações financeiras, o candidato do PL adotou tom genérico e não apresentou críticas diretas a Nunes Marques durante a entrevista na emissora. Flávio preferiu insistir na necessidade de que todos os magistrados sejam responsabilizados de forma igualitária, sem destacar um nome em particular, preservando a unidade de seu discurso em meio à sabatina televisiva.
Na avaliação de Flávio Bolsonaro, qualquer membro do Supremo que viole a legislação vigente deve responder por seus atos em processo de impeachment. “Qualquer ministro do Supremo que infrinja a lei tem que ser punido”, concluiu o senador, defendendo um rigor maior na fiscalização das condutas dos integrantes da Corte para garantir a confiança da população na Justiça.



