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sexta-feira, outubro 16, 2026

Starlink: como rede de Musk molda a geopolítica global

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Satélite Starlink da SpaceX em órbita baixa sobre o planeta azul (Foto: Instagram)

A Starlink foi idealizada por Elon Musk para levar internet de alta velocidade a regiões sem infraestrutura de cabos ou fibra óptica, como desertos, florestas densas, oceanos e áreas polares. Com o tempo, a rede passou de solução para locais remotos a elemento estratégico em conflitos e crises humanitárias, estando presente em cenários como Ucrânia, Irã e Faixa de Gaza. Essa dependência de um serviço oferecido por uma única empresa gerou poder de influência sem precedentes para Musk e levantou dúvidas sobre os impactos ambientais dos milhares de satélites em órbita.

O sistema de internet via satélite da Starlink opera com quase dez mil pequenos satélites em órbita baixa, a cerca de 550 quilômetros da superfície. Eles trocam dados usando feixes de laser e não dependem de ligação direta e contínua a uma estação terrestre. Isso reduz drasticamente a latência em comparação aos satélites geoestacionários, que ficam a 36 mil quilômetros de altitude. Os usuários precisam apenas de um terminal receptor com antena com rastreamento automático e um roteador local para distribuir o sinal.

Em zonas de conflito, a Starlink se tornou peça-chave de comunicação. Na Ucrânia, desde o início da guerra em fevereiro de 2022, as Forças Armadas dependem do sistema para coordenar unidades, operar drones e controlar veículos não tripulados, enquanto hospitais e serviços essenciais mantêm operações mesmo sob ataques. No Sudão, terminais contrabandeados pelos Emirados Árabes Unidos foram adotados pelas Forças de Apoio Rápido para articular milícias, em meio a tentativas do Exército estatal de bloquear o serviço. No Irã, manifestantes usaram centenas de terminais importados ilegalmente para driblar o desligamento da internet pelo regime, ainda que o serviço seja proibido e sujeito a prisões ou até pena de morte, segundo autoridades locais. Na Venezuela, o acesso extraoficial já ajudou a contornar restrições de informação, e Musk chegou a oferecer internet gratuita após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA. Desde julho de 2024, a rede também suporta operações humanitárias na Faixa de Gaza, com organizações usando o link para telemedicina e logística, embora o acesso geral a civis seja limitado por questões de segurança.

A crescente influência estratégica da Starlink levanta preocupações sobre o poder de decisão de Musk e de governos que definem limites de uso. Nos últimos meses, interferências nas transmissões limitaram operações ucranianas de drones, e o fundador da SpaceX afirmou que restrições são definidas pelos EUA. Ambientalistas também criticam a desintegração diária de satélites na atmosfera, cujo óxido de alumínio pode prejudicar a camada de ozônio e contribuir para o aquecimento global. Além disso, o brilho refletido pelas constelações de satélites altera o escurecimento natural do céu, afetando a biodiversidade noturna.

Para reduzir a dependência desse monopólio, vêm surgindo alternativas em várias regiões. A Eutelsat e a OneWeb já mantêm uma frota menor, e a União Europeia planeja lançar a rede IRIS² até 2029. Nos EUA, a Amazon desenvolve o serviço Amazon Leo, com previsão de mais de 3 mil satélites em órbita baixa e lançamento comercial ainda este ano, com apoio de parceiros no Brasil. A China, por sua vez, aposta em dois projetos estatais: Guowang, voltado ao uso nacional e militar, e Qianfan, com foco comercial para mercados emergentes, cada um com capacidade para mais de 10 mil satélites e início de lançamentos previsto para este ano.

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