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quarta-feira, outubro 21, 2026

Mulher processa psiquiatra após passar por transição de gênero e se arrepender de cirurgias

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Uma australiana que passou por tratamento hormonal e cirurgias de afirmação de gênero entrou com uma ação judicial contra o psiquiatra responsável por avaliar sua condição antes dos procedimentos. Jay Langadinos, de 31 anos na época em que o caso foi divulgado, acusou o médico Patrick Toohey, de Sydney, de negligência profissional por autorizar o tratamento com testosterona e posteriormente aprovar a retirada de suas mamas e de seu útero sem, segundo ela, realizar uma avaliação adequada de sua saúde mental.

O processo foi apresentado à Suprema Corte de Nova Gales do Sul, na Austrália, e divulgado pela imprensa em agosto de 2022. Na ação, Jay alegou que o médico não investigou suficientemente outras condições psicológicas que poderiam estar relacionadas ao sofrimento que ela apresentava na adolescência.

O primeiro atendimento aconteceu em maio de 2010, quando Jay tinha 19 anos. Ela havia sido encaminhada ao psiquiatra por um endocrinologista, que considerava necessária uma avaliação psiquiátrica aprofundada antes do início da terapia hormonal. Após a consulta, Toohey concluiu que a paciente apresentava disforia de gênero e poderia começar a utilizar testosterona, conforme os documentos judiciais.

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Em fevereiro de 2012, Jay voltou ao consultório para discutir a possibilidade de retirar as mamas. O psiquiatra autorizou o procedimento, realizado em abril daquele ano. No mês seguinte, durante uma terceira consulta, ela solicitou uma avaliação para a retirada do útero.

Segundo o processo, Toohey considerou que não havia contraindicação psiquiátrica para a cirurgia, realizada em novembro de 2012. A paciente afirma que o profissional deveria ter recomendado uma segunda opinião antes da histerectomia, além de investigar possíveis condições que poderiam influenciar sua percepção sobre o próprio corpo.

A documentação apresentada à Justiça também registra que o psiquiatra recomendou acompanhamento familiar e social, orientação que Jay não seguiu. Mesmo assim, ele autorizou os procedimentos cirúrgicos.

Anos depois, durante um tratamento psiquiátrico com outro profissional, Jay começou a reconsiderar as decisões tomadas anteriormente. Segundo a ação, foi em 2016 que ela concluiu que não deveria ter iniciado a terapia hormonal nem realizado as duas cirurgias. Em 2020, procurou um endocrinologista para discutir a interrupção do uso de testosterona.

Em entrevista aos jornais australianos The Age e The Sydney Morning Herald, Jay contou que, durante a adolescência, tinha dificuldades para compreender seus sentimentos em relação ao próprio corpo e à atração por outras meninas. Aos 17 anos, pesquisou na internet sobre disforia de gênero e passou a acreditar que aquela poderia ser a explicação para o que vivia. “Pensei: ‘É isso que eu tenho’. Decidi que devia ser transgênero por causa do desconforto que sentia com meu corpo”, relatou.

Jay afirmou que, à medida que se sentia mais infeliz, passou a acreditar que novas mudanças físicas poderiam resolver seu sofrimento. Posteriormente, ela deixou de se identificar como homem e decidiu buscar reparação judicial pelos tratamentos realizados.

Entre os problemas apontados na ação estão menopausa precoce, ansiedade, depressão, dificuldades no funcionamento psicológico e redução da capacidade de trabalho. Ela também relatou o impacto da retirada do útero sobre a possibilidade de ter filhos biológicos por meio de uma gestação. “Saber que não posso ter filhos é absolutamente devastador”, declarou.

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A australiana sustenta que o psiquiatra deveria ter considerado a possibilidade de ela apresentar autismo e encaminhá-la para uma investigação especializada. Também argumenta que sua fobia social e seus antecedentes de depressão deveriam ter recebido atenção antes da autorização para a terapia hormonal.

De acordo com os documentos apresentados à Justiça, Toohey havia registrado que Jay apresentava histórico de fobia social e depressão, condições que poderiam ir além da disforia de gênero. Essas informações passaram a integrar os argumentos utilizados pela paciente para questionar a avaliação médica.

As alegações fazem parte de uma ação por suposta negligência profissional. O relato apresentado não estabelece, por si só, que o psiquiatra tenha cometido uma infração, nem informa uma decisão judicial definitiva sobre o caso.

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