Terry Mandable, diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), conseguiu voltar a se comunicar após receber um chip cerebral experimental capaz de transformar os sinais produzidos pelo cérebro em palavras. O dispositivo da Neuralink foi implantado na região motora da fala e permitiu que o homem, que vinha perdendo progressivamente a capacidade de falar, voltasse a conversar com a família e dissesse novamente “eu te amo” à esposa, Lori.
Os primeiros sinais da doença apareceram quando Terry ainda estava em plena atividade profissional. Lori começou a perceber que o marido voltava de compromissos de trabalho com alterações na fala. “Ele chegava em casa depois de um jantar de negócios e a fala ficava arrastada. No começo, eu brincava com ele. Eu dizia: ‘Ah, quanto vinho você bebeu no jantar?’. E ele olhava para mim e dizia: ‘Eu não bebi vinho nenhum’”, contou.
Com a progressão da ELA, Terry passou a enfrentar dificuldades cada vez maiores para conversar com clientes e colegas. Ele acabou sendo afastado por incapacidade de longo prazo e precisou se aposentar. Dentro de casa, a comunicação também se tornou mais difícil. “Ele está chegando a um ponto em que estou tendo cada vez mais dificuldade para entender o que ele diz regularmente. Terry é extrovertido. Ele adora conversar e é de partir o coração ver o que ele está enfrentando. Esse é um dos meus maiores medos, perder a capacidade de me comunicar com ele e de saber instintivamente do que ele precisa”, afirmou Lori.
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A perda da fala também afetou diretamente Terry. “Perder minha voz me afetou de muitas maneiras. Espero que isso me permita voltar a fazer parte das conversas”, disse.
Diante da possibilidade de que a família deixasse de conseguir compreendê-lo, Terry participou do estudo experimental Voice, da Neuralink. A tecnologia utiliza uma interface cérebro-computador para identificar sinais cerebrais e, por meio de algoritmos, interpretar as palavras que a pessoa pretende dizer. A inteligência artificial transforma esses sinais em texto e fala em um computador.
O homem passou por uma cirurgia para que o dispositivo fosse colocado em seu cérebro. Depois do procedimento, pesquisadores conectaram o sistema ao implante e analisaram os sinais produzidos enquanto ele tentava se comunicar. O funcionamento não depende de os pesquisadores conseguirem compreender sua fala, mas da identificação dos sinais cerebrais e das intenções associadas às palavras.
Com o sistema, Terry consegue pensar nas palavras que deseja dizer para que elas sejam reproduzidas pelo dispositivo. “Voltar à vida normal é o que significa ter a Neuralink”, afirmou.
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Para Lori, recuperar a possibilidade de conversar com o marido representou uma mudança importante na rotina da família. “O impacto de devolver a fala a ele foi extraordinário. Com a ELA, você começa a aprender quais são as suas prioridades, e isso realmente coloca muitas coisas em perspectiva”, disse.
A esposa afirmou ainda que o dispositivo devolveu “uma parte da vida dele”. “O que isso significa para ele e para nós, algo que eu sei que eu considerava garantido, simplesmente poder conversar com meu marido, significa tudo para nós, poder ter essa comunicação de volta”, completou.



