Adelle Overton descobriu em 2025 que Steven Uden, seu companheiro havia 13 anos, a estuprava enquanto ela dormia após o próprio homem confessar os abusos. O caso foi levado à polícia de Derbyshire, na Inglaterra, e Uden se declarou culpado de dois crimes de estupro, sendo condenado a seis anos e oito meses de prisão.
A revelação aconteceu cinco anos depois de Adelle ter acordado durante um dos abusos. Na época, em 2020, ela fazia quimioterapia para tratar um câncer de mama e começou a desconfiar do comportamento do companheiro. “Não sei se o desconforto no meu corpo ficou mais evidente, mas acordei enquanto ele fazia aquilo”, relatou à BBC.
Segundo Adelle, Uden apresentou diferentes justificativas naquele momento. “Ele inventou várias desculpas, como: ‘Achei que você estivesse acordada e você estava emitindo sons’. Eu pensei em todo o estresse pelo qual estávamos passando, e ele dizia que tinha feito aquilo por acidente”, contou.
Ela decidiu deixar as suspeitas de lado naquele período. “Acho que era mais fácil acreditar na mentira do que lidar com o que a verdade poderia significar”, afirmou. Depois do episódio, no entanto, Adelle passou a enfrentar dificuldades para dormir.
A confirmação só ocorreu em 2025, quando Uden fazia tratamento contra um câncer de intestino. Durante uma conversa sobre a época em que Adelle enfrentou o câncer, ela voltou a questioná-lo sobre o que havia acontecido durante a quimioterapia. A conversa se estendeu por dois dias até que Uden telefonou para um amigo e admitiu o que havia feito. Depois, voltou para casa e confessou à companheira.
“Foi aquela sensação de traição, de perceber que eu achava que o conhecia, mas não sabia quem ele realmente era. E pensar que ele viveu comigo por 13 anos, que ajudou a criar meus filhos. Eu achava que ele era uma pessoa em quem podia confiar, mas não era”, contou.
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Adelle e Uden haviam se conhecido em 2009, durante as filmagens de um filme de zumbis em Nottingham. Ela tinha 29 anos e ele, 27. Os dois, que estavam em outros relacionamentos naquele momento, continuaram amigos e começaram a namorar em 13 de janeiro de 2012.
Anos depois, a relação também passou a envolver os cuidados de Adelle. Ela deixou o trabalho em 2017 após ser diagnosticada com síndrome de Ehlers-Danlos e, no início de 2018, Uden tornou-se seu cuidador. “Ele fazia praticamente tudo por mim”, disse.
Ao relembrar esse período, Adelle afirma que passou a identificar comportamentos controladores. “Ele gostava de dizer às outras pessoas o que eu era capaz ou não de fazer. Alguém sugeria que fizéssemos alguma coisa, e ele logo dizia: ‘Acho que a Dell não conseguiria fazer isso. Vamos pensar em outra coisa’”, relatou.
Mesmo depois da confissão, Adelle não encerrou o relacionamento imediatamente. Ela ainda amava Uden e dependia dos cuidados dele. Durante uma terapia em grupo que já frequentava por abusos sofridos anteriormente, decidiu contar o que havia descoberto.
“Foi uma das conselheiras, uma das terapeutas, que me fez cair na realidade, porque eu estava destruída, chorando sem parar e dizendo: ‘O que eu faço? Como faço para ele parar de fazer isso?’ E ela respondeu: ‘Você manda ele embora e chama a polícia’. Mais tarde, naquele mesmo dia, ela disse que haviam feito uma reunião para discutir medidas de proteção e que chamariam a polícia por causa de tudo aquilo. Foi aí que percebi que a situação já não estava mais nas minhas mãos”, recordou.
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Uden foi acusado de dois estupros e se declarou culpado no tribunal. Embora o processo tenha tratado de duas ocasiões, Adelle acredita que tenha sido vítima outras vezes. “Ele me disse que tinha feito isso comigo sete ou oito vezes”, afirmou.
Adelle também suspeita que Uden tenha utilizado os medicamentos aos quais tinha acesso como cuidador para mantê-la dormindo. Exames forenses e toxicológicos não conseguiram confirmar a suspeita, e nenhuma prova sobre isso foi apresentada ao tribunal. Uden, porém, admitiu à polícia que havia estuprado Adelle em uma ocasião enquanto ela fazia quimioterapia.
Após a condenação, Adelle abriu mão do direito ao anonimato e decidiu tornar o caso público. “Por meses, depois que descobri tudo, eu pensava que talvez aquilo fosse uma espécie de retribuição pelo cuidado que ele tinha comigo. Talvez eu devesse aquela intimidade a ele. Mas não devia, e ninguém deve”, declarou.



