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terça-feira, setembro 29, 2026

“Gêmeas siamesas” conquistam mais de 400 mil seguidores, mas verdade por trás das influenciadoras surpreende

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Um perfil que apresenta duas mulheres como gêmeas siamesas conquistou mais de 400 mil seguidores nas redes sociais ao compartilhar fotos, vídeos e relatos sobre a suposta rotina das irmãs. Identificadas como Valeria e Camila, as personagens afirmavam ser duas jovens de 25 anos que vivem em Miami, na Flórida, mas análises do conteúdo revelaram que as influenciadoras não existem e foram criadas com inteligência artificial.

A conta começou a ganhar repercussão após surgir no Instagram, em dezembro de 2025. Nas publicações, Valeria e Camila eram apresentadas como gêmeas siamesas dicefálicas parapagas, condição na qual duas cabeças compartilham um mesmo tronco. Além das imagens de moda e de momentos cotidianos, o perfil publicava fotos de biquíni e outras peças de roupa, o que ajudou a aumentar o engajamento em torno das personagens.

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A história foi construída com detalhes sobre a suposta vida das duas. Em diferentes publicações, elas afirmavam ter passado por cirurgias depois do nascimento devido à fusão da coluna e apresentavam cicatrizes como consequência desses procedimentos. O perfil também respondia a perguntas dos seguidores sobre alimentação, relacionamentos e como seria dividir o mesmo corpo.

As personagens chegaram a negar que fossem produzidas digitalmente. Em conteúdos publicados nas redes sociais, Valeria e Camila apareciam falando e se movimentando enquanto sustentavam que eram pessoas reais. “Nós nos movemos, falamos, obviamente não somos IA”, disseram em um dos vídeos.

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Com o crescimento da conta, no entanto, a autenticidade das imagens passou a ser questionada. Análises encontraram problemas na estrutura corporal retratada, além de inconsistências em elementos como iluminação, sombras e texturas da pele. Uma das imagens que mostrava uma suposta cicatriz nas costas chegou a ser apontada como anatomicamente impossível.

O caso também foi incluído no AI Incidents Monitor, base mantida pela OCDE para reunir ocorrências e riscos relacionados à inteligência artificial. O registro descreve Valeria e Camila como personagens apresentadas ao público como gêmeas siamesas por meio de imagens geradas por IA e histórias fabricadas, sem uma identificação clara da natureza artificial do conteúdo.

Mesmo depois das suspeitas sobre a origem das imagens, a conta continuou atraindo seguidores e comentários. Enquanto parte do público questionava se Valeria e Camila eram reais, outros usuários interagiam com as personagens como se estivessem diante de duas influenciadoras de verdade.

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