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quarta-feira, outubro 14, 2026

Fim dos tempos? Milhares de suecos já têm chips nas mãos

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A Suécia passou a utilizar implantes eletrônicos subcutâneos como alternativa a objetos usados no dia a dia, como cartões de acesso, chaves e bilhetes de transporte. Segundo as informações apresentadas no relato, cerca de 3 mil pessoas já aderiram à tecnologia no país, que tem aproximadamente 10 milhões de habitantes.

O dispositivo é colocado sob a pele da mão e funciona por meio da tecnologia NFC, utilizada para comunicação sem fio a curta distância. O chip é considerado passivo e só transmite informações quando aproximado de um leitor compatível.

Entre os usuários está Ulrika Celsing, de 28 anos. Ela recebeu o implante há cerca de um ano e passou a utilizá-lo para entrar no escritório, acessar uma academia e embarcar em trens.

Em um dos serviços disponíveis, passageiros podem comprar uma passagem pela internet e armazená-la diretamente no chip. A iniciativa da empresa ferroviária nacional SJ havia reunido cerca de 130 usuários no período descrito no relato.

Ulrika decidiu colocar o dispositivo depois que sua empresa ofereceu a possibilidade aos funcionários. “Foi ótimo testar algo novo. E no futuro, ver como podemos utilizá-lo para facilitar a nossa vida”, afirmou.

Segundo ela, o procedimento provocou dor no momento da aplicação, mas não trouxe outros incômodos. Ulrika também disse não temer que os dados armazenados sejam roubados ou utilizados para monitorá-la. “A tecnologia ainda não chegou ao ponto em que podem hackear o seu chip”, declarou. Ela acrescentou: “No futuro, talvez será necessário pensar nisso. E sempre posso tirá-lo”.

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Riscos ainda são discutidos

A tecnologia, porém, também levanta questionamentos entre especialistas. O microbiologista Ben Libberton alerta que a implantação pode provocar problemas físicos. Segundo ele, o procedimento pode causar “infecções” e “reações do sistema imunológico”.

A preocupação também envolve a quantidade de informações que esses dispositivos podem armazenar no futuro. Atualmente, os dados utilizados pelos implantes são limitados, mas Libberton considera que isso pode mudar com o avanço da tecnologia. “O maior risco diz respeito aos dados: neste momento, os dados recolhidos e compartilhados pelos implantes não são muitos mas isso aumentará, provavelmente”, afirmou.

O pesquisador também questiona o que poderia acontecer caso os chips passassem a reunir informações médicas. “Se um dia um implante puder detectar um problema médico na pessoa que o porta, quem será avisado e quando? Será que as companhias de seguros obterão informações sobre a nossa saúde?”, questionou.

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Para Libberton, concentrar diferentes tipos de informações em um único dispositivo aumenta os riscos relacionados à privacidade: “Quanto mais dados houver em um único lugar, como seria o caso de um implante, maior é o risco de que este seja utilizado contra nós”.

Mesmo diante dessas questões, a tecnologia encontrou espaço na Suécia. Jowan Österlund, especialista em piercings e defensor dos implantes, considera que carregar os próprios dados no corpo também pode permitir maior controle sobre o uso dessas informações.

A adesão chegou a ser promovida em eventos conhecidos como “implant parties”, nos quais interessados podem colocar os dispositivos. Em Estocolmo, Anders Brännfors, de 59 anos, participou de uma dessas ocasiões e recebeu um chip, embora ainda não tivesse utilizado o dispositivo nas semanas seguintes.

O avanço dos implantes mostra como uma tecnologia que antes parecia restrita à ficção científica passou a ser utilizada para tarefas cotidianas, ao mesmo tempo em que levanta discussões sobre segurança, privacidade e os limites da integração entre corpo e tecnologia.

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