O britânico Dominic O’Brien, de 59 anos, se tornou um dos principais nomes do campeonato mundial de memorização ao conquistar o título oito vezes em um intervalo de dez anos. Entre seus feitos está a capacidade de memorizar até 54 baralhos de cartas, marca registrada no Guinness Book desde 1º de maio de 2002.
A habilidade, no entanto, contrasta com as dificuldades que O’Brien enfrentou durante a infância. Ele conta que tinha “graves problemas de atenção” e que “nunca escutava nada do que a professora dizia”. Também apresentava dislexia e costumava escrever de trás para frente.
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O britânico começou a treinar a memória aos 30 anos, depois de assistir pela televisão a uma pessoa realizando o desafio de memorizar um baralho. A experiência despertou seu interesse e, poucas semanas depois, ele já estava praticando a técnica. “Em menos de um ano eu já estava no Guinness Book por ter memorizado seis baralhos de carta. Hoje eu já consigo gravar mais de 50 baralhos”, disse.
A marca de 54 baralhos foi alcançada em 1º de maio de 2002 e, segundo as informações fornecidas, permanece no Livro dos Recordes.
Para desenvolver a capacidade de guardar grandes volumes de informações, O’Brien criou um sistema baseado na associação de imagens a diferentes pontos de um percurso imaginário. Posteriormente, descobriu que o princípio utilizado já era conhecido pelos gregos havia mais de 2 mil anos.
Ele chamou a técnica de “método de viagem”, por organizar as informações como se fossem etapas de um caminho. “Trata-se de usar a imaginação e envolver todo seu cérebro. Parece um conceito muito simples, mas é uma forma muito eficaz de treinar seu cérebro”, afirmou.
A preparação para as competições envolveu exercícios de memorização de números, cartas, nomes e rostos. Entre as tarefas que considerava mais difíceis estava guardar números ditados em voz alta. “Você ouve números sendo falados e tem que digitá-los em um segundo”, contou o oito vezes campeão mundial.
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Depois de aprimorar a habilidade, O’Brien decidiu utilizar a memória em cassinos. A estratégia, porém, fez com que ele fosse banido de estabelecimentos no Reino Unido e em Las Vegas.
Apesar disso, o britânico passou a utilizar a capacidade de memorização em atividades do cotidiano. Entre os exemplos estão listas de compras, anotações, números de telefone, datas, rostos e nomes.
O’Brien também relaciona sua habilidade a acontecimentos da infância. Ele sofreu algumas pancadas na cabeça quando era criança e considera que elas podem ter influenciado sua capacidade. “Pode ter ocorrido algum dano ali”, disse à agência de notícias Caters.



