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segunda-feira, setembro 21, 2026

Banco Central estuda novas barreiras para instituições com falhas de segurança no Pix

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O Banco Central avalia adotar novas regras para aumentar a segurança do Pix e reduzir os riscos de ataques cibernéticos. Entre as propostas em estudo está a possibilidade de limitar a atuação de bancos, fintechs e empresas de tecnologia que não atendam a padrões considerados adequados de proteção digital.

A iniciativa ganhou força após uma série de invasões a empresas ligadas ao ecossistema do Pix, que resultaram em prejuízos bilionários e expuseram vulnerabilidades principalmente em instituições de menor porte e prestadoras de serviços que fazem a conexão com a infraestrutura do sistema.

Pelas propostas em discussão, participantes com falhas de segurança poderão sofrer restrições como limites para valores e horários de transferências, impedimento para cadastrar novas chaves Pix e, em situações mais graves, até a suspensão temporária do acesso ao sistema. A intenção é permitir uma resposta mais rápida do regulador diante de riscos cibernéticos, sem depender exclusivamente dos processos administrativos tradicionais.

Segundo estimativas do mercado, fraudes digitais relacionadas ao sistema financeiro já provocaram perdas superiores a R$ 1,5 bilhão nos últimos 12 meses. Na maioria dos casos, os criminosos não atacam diretamente os grandes bancos, mas exploram vulnerabilidades em empresas que integram a cadeia tecnológica responsável pelas operações do Pix.

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Um dos episódios que mais chamou atenção foi o ataque à empresa C&M Software, responsável por conectar instituições financeiras ao Banco Central. A invasão permitiu o desvio de aproximadamente R$ 800 milhões e reforçou a percepção de que a segurança do Pix depende não apenas da infraestrutura da autoridade monetária, mas também dos mecanismos de proteção adotados por todos os participantes.

Mesmo após o endurecimento das normas de segurança digital ao longo de 2025, novos incidentes continuaram sendo registrados. Recentemente, o Banco Central emitiu um alerta ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) após uma tentativa de invasão envolvendo uma fintech. A MagaluPay também foi alvo de uma ação semelhante.

A proposta em estudo prevê um modelo de supervisão baseado no nível de segurança apresentado por cada instituição. Empresas com histórico consistente de proteção continuariam operando normalmente, enquanto aquelas com controles considerados insuficientes poderiam atuar sob regras mais rígidas até comprovarem melhorias.

Na avaliação do Banco Central, a medida também funcionaria como um incentivo para que o mercado invista em infraestrutura tecnológica, gestão de riscos e proteção contra ataques digitais, reduzindo a possibilidade de novas fraudes de grande impacto.

Durante um evento promovido pela instituição, o diretor de Administração do BC, Rodrigo Teixeira, destacou que sistemas como o Pix e o Sistema de Transferência de Reservas (STR) se tornaram peças essenciais da economia brasileira. Segundo ele, o avanço da digitalização ampliou a eficiência do sistema financeiro, mas também elevou a exposição a ameaças cibernéticas.

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O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que o risco digital está entre as maiores preocupações da autoridade monetária. Ele ressaltou que a agenda regulatória voltada à cibersegurança continuará sendo ampliada e defendeu que as instituições mantenham controles constantemente atualizados e testados.

Lançado em 2020, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento do país, movimentando bilhões de operações todos os meses. Além de medidas já adotadas, como limites para transferências em horários de maior risco e o Mecanismo Especial de Devolução (MED), o Banco Central agora pretende concentrar sua atuação também na avaliação da estrutura tecnológica das instituições participantes.

As propostas ainda deverão ser debatidas com representantes do mercado antes de uma eventual implementação. O desafio será fortalecer a segurança do sistema sem reduzir a competitividade nem comprometer a inovação que impulsionou o crescimento do Pix nos últimos anos.

Para o advogado especializado em regulação financeira Tiago Severo, a discussão demonstra que o Pix passou a ser tratado como uma infraestrutura crítica para a economia brasileira. Segundo ele, exigir padrões mínimos de segurança cibernética tende a aumentar a proteção dos usuários, mas será necessário equilibrar as novas exigências para evitar concentração de mercado e preservar o ambiente de inovação.

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