
Desabamento em uma loja de tecidos no Brás deixou quatro pessoas com ferimentos leves. (Foto: Instagram)
Trabalhadores que estavam no prédio que desabou no Brás, região central de São Paulo, nesta sexta-feira, 6, relataram os momentos de medo enquanto aguardavam o resgate. O imóvel abrigava uma loja de tecidos e tinha 35 pessoas no interior. Quatro sofreram ferimentos leves. “Foi um milagre. O prédio começou a desmoronar da frente para trás e foi até a metade. E a gente estava no fundo”, contou Wesley, que se identificou apenas pelo primeiro nome. “Foi do nada, coisa de um segundo.”
Paulo Fernandes, de 25 anos, afirmou que os tecidos armazenados no local ajudaram a sustentar parte da estrutura. “Se não fosse por isso, a gente tinha morrido.” Pedro e Wesley trabalham com entregas e descarregam materiais no imóvel no fim da tarde. O Brás é conhecido pelo comércio de roupas, e a região da Maria Joaquina, pela produção têxtil.
O secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, disse que o edifício tinha três pavimentos e que o desabamento começou pelo mezanino, que pode não ter suportado o peso da carga. Mais tarde, Osvaldo Nico Gonçalves afirmou que a proprietária da loja havia recebido dois contêineres. Um foi descarregado pela manhã e levado para os andares superiores; o descarregamento do segundo começou depois das 18 horas. “A perícia ainda vai apontar, mas a queda começou no mezanino, em cima, onde ela colocou muito peso”, declarou.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também apontou o excesso de peso como principal hipótese para o colapso, ainda a ser confirmada. Wesley contou que se protegeu no vão entre duas colunas, em uma área não atingida pelo concreto. “Era muito gesso. Estava muito difícil de respirar.” Paulo disse que precisaram quebrar um vidro para aliviar o pó. Os trabalhadores aguardaram cerca de 40 minutos até serem resgatados.
Segundo a capitã Karoline Magalhães, porta-voz do Corpo de Bombeiros, oito pessoas conseguiram sair antes da chegada das equipes, e as outras 27 foram resgatadas. Quatro foram encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca, com ferimentos leves e quadro estável. Até as 22h, não havia informações sobre mortes. O Corpo de Bombeiros informou que o edifício, de quatro andares, não tinha Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) regular. Trabalhadores disseram que já haviam visto trincas e rachaduras, embora Wesley e Pedro afirmem não ter notado problemas.
Os bombeiros foram acionados por volta das 18h40, e 51 homens e 17 viaturas foram mobilizados. Às 22h30, Polícia Militar e bombeiros suspenderam os trabalhos devido ao risco de novos desabamentos, e o local foi isolado. Na atualização das 0h21 de sábado, 7, a corporação informou que 13 viaturas continuavam removendo escombros e que cães farejadores foram enviados para ajudar a verificar se havia outras vítimas. A CET bloqueou a Rua Maria Joaquina, a Rua Xavantes com a Rua Mendes Jr. e a Rua Oriente com a Rua Xavantes.
Este foi o segundo desmoronamento grave na capital em menos de 60 dias. Em 12 de setembro, seis pessoas, incluindo uma criança, morreram após um prédio em construção desabar sobre uma casa na Penha, na zona leste. Um homem apontado como sócio-proprietário oculto da construtora foi preso temporariamente, e outros dois mandados contra representantes da empresa foram expedidos. Em depoimento à Controladoria-Geral do Município de São Paulo (CGM), em 18 de setembro, o engenheiro Fabio José de Oliveira relatou ter identificado falhas graves e risco de colapso na construção. A liberação da obra pela fiscalização municipal passou a ser investigada.



