
Prédio de quatro andares desabou na sexta-feira (6), no Brás, região central de São Paulo. As 35 pessoas que estavam no imóvel foram resgatadas; quatro tiveram ferimentos leves. (Foto: Instagram)
O Corpo de Bombeiros informou que o prédio de quatro andares que desabou na sexta-feira, 6, na Rua Maria Joaquina, número 192, no Brás, região central de São Paulo, não tinha Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) regular. O imóvel abrigava uma loja de roupas. Os proprietários não foram localizados.
Às 22h30, a Polícia Militar e os bombeiros interromperam os trabalhos devido ao risco de novos desabamentos, e a área foi completamente isolada. Na atualização divulgada à 0h21 de sábado, 7, 13 viaturas ainda estavam no local, com equipes removendo escombros e procurando possíveis vítimas. Cães farejadores também foram mobilizados. A prioridade era confirmar que ninguém permanecia no imóvel.
Segundo a capitã Karoline Magalhães, porta-voz dos bombeiros, 35 pessoas estavam no prédio. Oito conseguiram sair antes da chegada das equipes; as outras 27 foram resgatadas. Quatro delas, com ferimentos leves e quadro estável, foram levadas à UPA da Mooca. A corporação foi acionada por volta das 18h40 e mobilizou 51 homens e 17 viaturas.
O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que conversou com a dona da loja, uma mulher chinesa cuja identidade não foi divulgada. Segundo ele, ela recebeu dois contêineres: um foi descarregado pela manhã, e o conteúdo teria sido levado para o mezanino. O descarregamento do segundo começou depois das 18 horas, quando havia 35 pessoas no imóvel. A perícia ainda deve determinar as causas, mas, conforme o secretário, o colapso teria começado no mezanino, onde havia muito peso.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também apontou o excesso de peso como principal hipótese, ainda a ser confirmada. Ele disse que caminhões levaram tecidos ao local para armazenamento e que a carga pode ter provocado o desabamento. Sobreviventes relataram momentos de desespero durante o resgate. Um trabalhador identificado apenas como Wesley disse que a estrutura cedeu da frente para trás, mas parou antes de alcançar o fundo do prédio, onde ele estava. Paulo Fernandes, de 25 anos, afirmou que os tecidos ajudaram a sustentar parte da estrutura: “Se não fosse por isso, a gente tinha morrido.”
O colapso deixou concreto quebrado e metal retorcido entre os escombros; apenas a fachada continuou de pé. A Companhia de Engenharia de Tráfego bloqueou a Rua Maria Joaquina, a Rua Xavantes com a Rua Mendes Jr. e a Rua Oriente com a Rua Xavantes. A região é um dos principais centros de comércio popular da capital paulista.
Este foi o segundo desabamento grave na cidade em menos de 60 dias. Em 12 de setembro, seis pessoas, entre elas uma criança, morreram quando um prédio em construção caiu sobre uma casa na Penha, na zona leste. Um homem apontado como sócio-proprietário oculto da construtora responsável foi preso temporariamente. Também foram expedidos mandados de prisão temporária contra dois representantes da empresa, que teve empreendimentos bloqueados na cidade. O engenheiro Fabio José de Oliveira, responsável pela vistoria do edifício, relatou à Controladoria-Geral do Município de São Paulo (CGM), em 18 de setembro, falhas graves e risco de colapso. A liberação da obra pela fiscalização municipal passou a ser investigada.



