
Investigador destaca autocontrole de copiloto morta em queda de jato na Flórida (Foto: Instagram)
Pete Harmon, piloto com mais de 44 anos de experiência na aviação e duas décadas de atuação como investigador de acidentes aéreos, elogiou o autocontrole de Nathalia Gadelha Filgueiras, copiloto de 20 anos que morreu na queda de um jato particular na Flórida, nos Estados Unidos. A gravação dos momentos finais do voo continua provocando comoção.
Em um comentário nas redes sociais, Harmon disse ter ficado profundamente impressionado com a postura da jovem durante a emergência. Segundo ele, mesmo em uma situação assustadora, Nathalia conseguiu manter contato com os controladores de tráfego aéreo e transmitir informações sobre as condições da aeronave. “Não acredito que já tenha ficado tão impressionado com o autocontrole de um piloto diante de uma situação tão aterrorizante”, escreveu.
Harmon recomendou que as pessoas não escutem a gravação devido ao impacto emocional. Em uma edição posterior do comentário, afirmou: “Esse áudio me assombra, e me arrependo profundamente de tê-lo escutado”. Ele também destacou o valor das transmissões para a investigação do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), que busca reconstruir a sequência dos acontecimentos. Ressaltou, porém, que a análise das evidências cabe às autoridades, não a especulações nas redes sociais. “O que ouvi na voz dela foi coragem”, disse, acrescentando que a jovem merece respeito.
Nathalia era copiloto de um Learjet 60 que caiu no condado de Palm Beach, na Flórida, no domingo, 1º de novembro. O avião havia saído de Austin, no Texas, com destino a North Eleuthera, nas Bahamas. As nove pessoas a bordo morreram. Filha de brasileiros, a jovem morava na Flórida e tinha mais de 1.300 horas de voo. Conquistou sua primeira licença de piloto aos 17 anos e trabalhava na aviação executiva.
A gravação da comunicação entre a tripulação e o controle de tráfego aéreo ganhou repercussão internacional por registrar alertas feitos antes da queda. Inicialmente, os pilotos relataram turbulência moderada e formação de gelo na aeronave e buscaram informações sobre condições meteorológicas mais favoráveis.
A situação se agravou rapidamente. Nathalia informou que o avião perdia altitude em velocidade extremamente elevada e declarou emergência usando o código internacional Mayday. Em um trecho, disse que o jato descia a 20 mil pés por minuto; pouco depois, a velocidade chegou a 22 mil pés por minuto, de acordo com o áudio. Entre as frases atribuídas à copiloto está: “Vamos bater no chão”. A gravação também registra gritos, tentativas do controlador de manter contato e, em outro momento, uma voz masculina que parece recitar o Pai-Nosso. O material foi divulgado por canais que monitoram comunicações da aviação e teve a autenticidade verificada pela Reuters.
Nascida nos Estados Unidos, Nathalia sonhava em seguir carreira na aviação desde jovem. Obteve a licença de piloto privado aos 17 anos, enquanto ainda cursava o ensino médio, e trabalhava como copiloto de aeronaves executivas. De acordo com relatos da família à imprensa americana, ela queria se tornar piloto de uma companhia aérea comercial. Cerca de dez minutos antes da queda, teria enviado uma mensagem ao namorado, também piloto, relatando turbulência e gelo durante o voo.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) e o NTSB investigam o acidente. Entre as hipóteses avaliadas estão a formação de gelo e as condições meteorológicas severas. Os investigadores também apuram se houve danos estruturais antes do impacto. A causa oficial ainda não foi determinada; o NTSB trabalha na recuperação dos destroços e na análise das evidências para reconstituir os minutos finais do voo.



