
Enem 2026: exemplos de redação sobre a desvalorização dos idosos destacam preconceito etário, acesso à saúde e propostas de inclusão. (Foto: Instagram)
Mais de 5 milhões de candidatos farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, cuja aplicação começa no próximo domingo, 8. A redação, realizada no primeiro dia de prova, costuma gerar expectativa e preocupação, sobretudo pela escolha do tema. Na edição anterior, os participantes escreveram sobre “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Dois exemplos elaborados por professores podem servir de referência para quem se prepara para a prova deste ano.
A redação avalia a capacidade de argumentação e escrita. O candidato deve produzir um texto de até 30 linhas, apresentar uma tese, sustentar argumentos e propor uma solução para o problema abordado. A nota máxima é de mil pontos e tem peso importante no resultado final. Quem recebe zero não pode usar a pontuação do exame para ingressar em universidades públicas ou privadas, além de reduzir as chances de obter bolsas de estudo ou intercâmbios.
João Vinícius Albuquerque Pimentel, professor de redação do Poliedro, e a equipe de redação da instituição abordaram a desvalorização dos idosos. O texto parte do filme “O Senhor Estagiário”, em que um homem de 70 anos enfrenta dificuldades para voltar ao mercado de trabalho por causa do preconceito etário. Os autores relacionam esse estigma à lógica capitalista, que tende a atribuir valor às pessoas conforme sua capacidade de produzir ou consumir, e à consequente visão dos idosos como frágeis, lentos ou improdutivos.
A redação também aponta que a mídia e o mercado promovem a juventude como ideal, associando-a à saúde, à agilidade e ao sucesso. A busca por uma aparência jovem, por meio de procedimentos estéticos e mudanças na aparência, reforçaria o distanciamento da velhice. Como proposta, o texto sugere que o Poder Executivo Federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, promova campanhas educativas nas mídias para incentivar visões mais positivas sobre os idosos e reconhecer sua experiência e sabedoria.
Denise Leal Franco, autora do Fibonacci Sistema de Ensino, inicia sua redação com uma reflexão de Chateaubriand: “Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso”. O texto examina o dever de amparo previsto no artigo 230 da Constituição de 1988 e afirma que a assistência pública ainda é insuficiente, especialmente para pessoas idosas de baixa renda e moradores de áreas periféricas. Entre os obstáculos citados estão a dificuldade de acesso a atendimento médico adequado e a falta de geriatras. Pesquisa divulgada pelo jornal Estadão aponta déficit de 28 mil médicos especialistas em envelhecimento no país, situação que pode atrasar consultas e prejudicar o acompanhamento de doenças crônicas, como diabetes.
A autora também critica o descaso de familiares que negligenciam cuidados e afeto. Ela cita a filósofa mineira Terezinha Azerêdo Rios, para quem o idoso é tratado com menos humanidade na cultura brasileira, e relaciona essa atitude à falta de empatia e à dificuldade de se imaginar envelhecendo. Para enfrentar os problemas, propõe que o Ministério da Saúde contrate mais geriatras, sobretudo para áreas carentes, e que o Estado realize campanhas para conscientizar as famílias sobre a responsabilidade de cuidar dos idosos. Assim, afirma, seria possível garantir atendimento adequado e tratamento digno.



