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sexta-feira, outubro 30, 2026

Como Janones criou um exército digital para a campanha de Lula e que espaço terá no governo

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André Janones mobilizou apoiadores de Lula pelo canal Exército do Lula e reivindicou reconhecimento por sua atuação na campanha. (Foto: Instagram)

Antes mesmo da confirmação do resultado, André Janones publicou no canal Exército do Lula, criado no WhatsApp para mobilizar apoiadores, uma “última missão”: recuperar as publicações em que havia previsto a vitória e a diferença de votos. A iniciativa refletiu duas marcas de sua atuação: mobilizar apoiadores de Lula e reivindicar reconhecimento pelo próprio papel na campanha. O canal chegou a cerca de 10,8 milhões de seguidores, que recebiam tarefas para compartilhar vídeos, promover hashtags e ampliar a mobilização.

Com 99,95% das seções totalizadas, Lula tinha 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro, segundo o TSE. Depois da vitória, Janones cobrou desculpas de quem duvidara dele. Lula o chamou de “nosso general” e agradeceu por levantar a moral da campanha. O presidente também prometeu ampliar a participação popular nas decisões e afirmou que a comunicação digital teria mais espaço no próximo mandato. Janones, porém, foi reeleito deputado federal por Minas Gerais em 2026 com 78.780 votos, ante 238.967 em 2022, uma queda de 67%.

Após o primeiro turno, o Exército do Lula cresceu e passou a divulgar textos, áudios, vídeos e links, além de orientar ações em outras redes e conversas pessoais. O perfil de Janones no Instagram também avançou: segundo o SocialBlade, foi de 2.781.320 seguidores no primeiro turno a 6.876.228 em consulta feita em 23 de outubro, acréscimo de 4.094.908, ou 147,2%. Aos 42 anos, ele já havia ganhado projeção na greve dos caminhoneiros de 2018 e com a defesa do auxílio emergencial durante a pandemia. Em 2022, retirou sua candidatura presidencial e apoiou Lula.

Aliados elogiaram a rapidez de Janones para reagir e mudar o foco do debate. Paulo Pimenta, do PT, defendeu a diversidade de estilos na campanha e disse que o deputado alcançava outro público. Até Renan Santos, fundador do MBL e adversário de Lula, comparou sua capacidade de comunicação à de Cleitinho e Nikolas Ferreira. Em contrapartida, petistas temiam que o estilo combativo prejudicasse a imagem moderada de Lula; um aliado o apelidou de “Carlucho do bem”, em referência a Carlos Bolsonaro. Janones afirmou, ao comentar o livro Janonismo Cultural, que usava blefes, não notícias falsas. A Agência Lupa já havia documentado publicações desinformativas suas durante a campanha.

No período entre os turnos de 2026, a campanha de Flávio levou o canal ao TSE, acusando-o de divulgar mentiras. Janones negou disseminar notícias falsas, e um relatório técnico não encontrou, em publicações de 2 a 11 de outubro, as afirmações examinadas no processo. Para o cientista político Leandro Consentino, Janones poderia assumir importância no governo, sobretudo na comunicação. Consentino aproximou os mecanismos digitais do deputado aos de Pablo Marçal, engajado na campanha de Flávio, mas ressaltou diferenças ideológicas e de trajetória. Tathiana Chicarino também reconheceu o domínio de recursos emocionais nas redes, sem considerar que isso equipare conteúdos ou limites éticos.

Consentino avalia que a influência de Janones pode refletir uma mudança do marketing político tradicional, associado a Duda Mendonça e João Santana, para estrategistas digitais. Ainda assim, pondera que o confronto tende a funcionar melhor na oposição do que na defesa de um governo. Para ele, Janones se tornou referência para a esquerda, embora a comunicação direta também possa estimular campanhas personalistas e reduzir o debate sobre políticas públicas. Chicarino defende que partidos e movimentos sociais incorporem o aprendizado digital, independentemente de Janones ocupar ou não uma função no governo.

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