
Apoiadores de Lula exibem faixas e cartazes em grande ato de rua em Brasília a poucos dias do segundo turno (Foto: Instagram)
A menos de uma semana para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, manifestações de rua e atos políticos têm se firmado como recurso estratégico na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Além de reunir apoiadores, esses eventos servem para transmitir uma imagem de força e podem influenciar eleitores ainda indecisos.
Apesar da grande visibilidade, o alcance real desses atos pode ser restrito. Especialistas destacam que a intensa polarização e a consolidação das preferências eleitorais reduzem o potencial de reviravolta no resultado final. Ainda assim, em um cenário disputado ponto a ponto, até mesmo pequenas mobilizações podem ter impacto relevante.
“Tudo pode fazer diferença”, avalia Rodrigo Prando, cientista político, professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Para ele, as manifestações cumprem um papel simbólico que vai além da contagem de participantes, pois fortalecem o sentimento de pertencimento a um grupo e impulsionam o engajamento dos simpatizantes na reta final da campanha.
Lucas Gelape, professor de Ciência Política da UFMG, identifica dois mecanismos pelos quais os atos influenciam o pleito. O primeiro é a demonstração de força, que pode atrair aqueles que preferem apoiar quem aparenta estar em vantagem. “Pesquisas mostram como grandes eventos de campanha são uma forma de um político demonstrar poder perante o eleitorado, e aí, porque o eleitorado tende a preferir votar em quem está à frente, há um efeito conhecido como efeito manada”, explica Gelape. O segundo mecanismo é a mobilização direta de militantes para buscar novos votos.
Quanto à possibilidade de converter indecisos, os especialistas afirmam que ela existe, mas depende do perfil dos eleitores ainda não decididos e do contexto político. Gelape observa: “Eu acho que nessa eleição a gente está com muito pouco eleitor indeciso.” Prando concorda, ressaltando que os votos estão “muito consolidados” entre Lula e Flávio Bolsonaro, o que limita o espaço para mudanças de opinião em massa.
Mesmo assim, há um grupo pequeno de eleitores que pode ser atingido pelas manifestações não apenas pela mudança de preferência, mas pelo aumento da disposição de votar. Prando destaca que atos de rua podem animar pessoas desmotivadas a comparecer às urnas, inclusive aquelas que deixaram de participar por desalento ou baixa identificação com os candidatos.
Medir o efeito concreto dessas iniciativas não é tarefa simples. Seria necessário analisar alterações em pesquisas de intenção de voto, mudanças em índices de rejeição e sinais de maior engajamento entre indecisos. Mas, conforme apontam os especialistas, atribuir variações exclusivamente às manifestações é complexo, já que a campanha envolve diversos fatores. Ainda assim, em uma eleição tão acirrada, cada voto adicional pode fazer a diferença.



