16.5 C
São Paulo
terça-feira, outubro 20, 2026

Lula e Flávio Bolsonaro protagonizam debate tenso repleto de trocas de acusações

Leia mais


Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em momento de confronto durante debate presidencial (Foto: Instagram)

Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram em um embate carregado de provocações e poucas propostas na noite de domingo (18/10), em debate promovido pela Bandeirantes, uma semana antes do segundo turno. Mais do que discutir programas de governo, ambos apostaram em ofensas pessoais, questionamentos sobre familiares e menções a escândalos financeiros, como o do Banco Master e desvios no INSS, enquanto as pesquisas apontam empate técnico.

No bloco inicial, a segurança pública deu o tom. Flávio prometeu declarar “guerra ao narcoterrorismo” e acusou o governo federal de praticar “desencarceramento”. Lula destacou que a área é de competência dos estados, conforme a Constituição, e provocou o senador a apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública enviada pelo Planalto. Ao tratar da economia, o ex-presidente citou benefícios para Microempreendedores Individuais (MEIs) e afirmou que o país está perto de reconquistar o grau de investimento, enquanto Flávio preferiu centrar seu discurso no custo de vida e na necessidade de retirar Lula do Palácio do Planalto.

No confronto direto, que permitia 15 minutos de questionamentos mútuos, Lula lembrou um voto de Flávio em 2009 contra a ampliação da licença-maternidade para servidoras estaduais. O senador ignorou a pergunta e revidou sobre a lobista Roberta Luchsinger, próxima ao filho Lulinha e apontada em suposto esquema de desvios no INSS. Nos minutos seguintes, a troca de acusações se intensificou, com Flávio adotando tom irônico e Lula rebatendo críticas ao seu legado.

Ao abordar as relações de Flávio com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, cobra­damente denunciado pela Polícia Federal, Lula ressaltou não interferir na Polícia Federal para proteger parentes e citou a saída de Sergio Moro em 2020 por pressão do governo anterior. Já Flávio, seguindo tática de seu pai, chegou ao estúdio ao lado de Moro e do senador eleito Deltan Dallagnol, ambos ex-estrela da Lava Jato, reforçando insinuações de que o PT manipula investigações.

A disputa também incluiu críticas às movimentações familiares: Lula lançou questionamentos sobre o filho de Flávio, que vive na Espanha, e denunciou que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro estaria “tramando contra o Brasil” nos Estados Unidos. Em retorno, criticou ainda um pedido de R$ 134 milhões feito por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sem esclarecer o destino do recurso.

Em outro momento, Lula cobrou posicionamento do adversário sobre a prisão de um policial militar que matou uma criança em Niterói, enquanto Flávio rebateu com dados sobre criminalidade e indagou por que 73% dos presidiários teriam votado em Lula. O petista respondeu em tom de desafio, desejando obter 100% dos votos até mesmo dos familiares de Jair Bolsonaro, condenado por liderar plano de golpe de Estado.

No final do debate, temas como a extinção da escala 6×1, relações com os Estados Unidos, tarifas sobre produtos brasileiros e elogios à política econômica de Javier Milei foram abordados em rápida sucessão. Lula propôs, ainda, que ambos abram simultaneamente sigilo bancário e telefônico para demonstrar transparência, encerrando o confronto com convite direto ao cenário eleitoral que se aproxima.

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias