
Lula e Flávio Bolsonaro em debate com checagem de fatos ao fundo (Foto: Instagram)
Neste domingo, 18 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram de debate promovido pela Band em parceria com o jornal Estadão. O núcleo de checagem de fatos do Estadão Verifica avaliou diversas afirmações feitas pelos candidatos, atribuindo etiquetas como “verdadeiro”, “enganoso” e “exagerado” a respeito de números, datas e declarações específicas.
No início, Lula afirmou ter sido o primeiro presidente do Brasil a conseguir dois graus de investimento para o país. Essa alegação recebeu etiqueta de “verdadeiro”, já que em 2008 e 2009, durante seu segundo mandato, as agências Fitch Ratings, S&P e Moody’s concederam o selo de bom pagador ao Brasil. Sobre o crescimento da economia, o ex-presidente disse que o PIB crescia 7,5% em seu governo e só voltou a superar 3,5% após seu retorno em 2023. Essa declaração foi classificada como “enganosa”, pois o IBGE registrou alta de 4,6% em 2021, sob Jair Bolsonaro, embora em comparação a um ano de forte retração pela pandemia. Lula também mencionou a criação do Microempreendedor Individual (MEI) e afirmou haver 17,5 milhões de registros ativos. Essa informação é “verdadeira”, tendo surgido em 2008 e alcançado 17,56 milhões de MEIs ativos conforme dados do governo.
Em seguida, o petista afirmou que, ao assumir em 2003, o Brasil devia US$ 30 bilhões ao FMI e quitou a dívida, acumulando reservas de US$ 270 bilhões até 2010. A checagem considerou essa fala “verdadeira”, já que o saldo de US$ 30,4 bilhões foi herdado e pago antecipadamente, e as reservas atingiram os US$ 270 bilhões no fim de seu segundo mandato. Lula também destacou que o governo devolveu R$ 3,5 bilhões a aposentados afetados por descontos indevidos no INSS, informação confirmada pelo DataPrev e classificada como “verdadeira”. Ao comentar a relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, Lula afirmou que o senador contou 43 inverdades sobre o assunto. Essa afirmação foi considerada “verdadeira”, pois há levantamento do Aos Fatos registrando contradições nas declarações de Flávio.
Lula acusou Flávio de ter comprado uma casa de R$ 10 milhões, mas o Estadão Verifica rotulou essa afirmação como “exagerada”: o senador declarou patrimônio de R$ 8,1 milhões, incluindo uma mansão de R$ 6,2 milhões em Brasília. Sobre Jair Bolsonaro, Lula disse que o ex-presidente mentia 11 vezes por dia; esse número foi avaliado como “exagerado”, já que estudos de Artigo 19 e do Aos Fatos apontam média de quatro declarações falsas diárias.
No tema de políticas sociais, Lula afirmou que Flávio foi o único dos 49 deputados estaduais do Rio de Janeiro a votar contra a ampliação da licença-maternidade de 120 para 180 dias em 2009; essa informação foi considerada “verdadeira”. O ex-presidente também mencionou a presença de um “torpedo americano” em ato de apoio a Flávio na Avenida Paulista, com manifestantes exibindo míssil inflável pedindo ataque nuclear dos EUA, o que foi confirmado por testemunhas e classificado como “verdadeiro”.
Por fim, Lula disse que Flávio pretende privatizar 95% das estatais brasileiras. Essa fala recebeu o selo de “verdadeiro”, já que em evento organizado pelo BTG Pactual o senador defendeu a privatização em larga escala. Por outro lado, a declaração de que o governo Bolsonaro não ajustou o salário mínimo acima da inflação em nenhum ano foi classificada como “enganosa”, visto que em 2019 houve ganho real de 1,14% sobre a inflação, apesar de abaixo do patamar projetado pelo governo anterior.



