Uma mulher identificada como Muthu Master viveu durante 37 anos sob uma identidade masculina para conseguir trabalhar, sustentar a filha e se proteger da violência contra mulheres na Índia. Moradora da localidade de Kattunaickkanpatti, no estado de Tamil Nadu, ela contou sua história em uma entrevista concedida em 2022 ao jornal The Times of India.
A mudança começou depois que Muthu ficou viúva. O marido morreu apenas 15 dias após o casamento, quando ela estava grávida. Sozinha, passou a enfrentar dificuldades para trabalhar e circular em segurança.
Pouco tempo depois, enquanto tentava exercer uma atividade profissional, Muthu relatou ter sido assediada por um caminhoneiro. O episódio, somado às dificuldades que enfrentava como mulher e viúva, influenciou a decisão que manteria pelas décadas seguintes.
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Muthu cortou o cabelo, deixou a cidade onde vivia e passou a se apresentar socialmente como homem. Foi nesse período que adotou o nome Muthu Master e começou a conseguir trabalhos em atividades tradicionalmente ocupadas por homens. Segundo seu relato, a nova identidade também fez com que passasse a receber mais respeito nos ambientes social e profissional.
A identidade masculina foi mantida até mesmo dentro de casa. A filha de Muthu cresceu acreditando que ela era um homem e somente descobriu a verdade quando já era adulta. A aparência e os traços físicos de Muthu também contribuíram para que ela mantivesse a identidade durante quase quatro décadas.
Ao explicar por que tomou a decisão, Muthu relacionou a escolha ao medo da violência contra mulheres. Ela citou casos de agressões registrados em sua região e relatou que se considerava ainda mais vulnerável por ser viúva. “Qual é a segurança mínima que esta sociedade pode garantir para uma mulher?”, questionou.
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A história só veio a público quando Muthu tentou solicitar a aposentadoria. Como estava registrada oficialmente como homem, ela ainda não havia alcançado a idade mínima exigida para receber o benefício e também não possuía documentos capazes de comprovar sua condição de mulher.
Depois de revelar a identidade que manteve escondida por 37 anos, Muthu afirmou que buscava o direito de encerrar a vida profissional com dignidade após décadas de trabalho.



