Nina Blom passou parte da infância entre hospitais, exames e tratamentos depois de começar a apresentar problemas de saúde aos 8 anos. Segundo seu relato à BBC, a mãe restringia sua alimentação, administrava medicamentos e mantinha a filha afastada da escola e em uma cadeira de rodas. Anos depois, um médico identificou que a menina era vítima da Síndrome de Munchausen por Procuração.
A Síndrome de Munchausen por Procuração (atualmente chamada de Transtorno Factício Imposto a Outro) é uma grave forma de abuso infantil em que o responsável, geralmente a mãe ou um cuidador, inventa, simula ou provoca intencionalmente sintomas de doenças em uma pessoa sob sua guarda, como uma criança.
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Antes dos problemas de saúde, Nina se descrevia como uma criança alegre. A rotina mudou aos 8 anos, quando começou a apresentar problemas no estômago e perdeu peso. A mãe dizia que ela corria risco de morrer caso não fosse internada.
Durante uma das internações, Nina apresentou melhora rapidamente. Ainda assim, a mãe continuou levando a filha para receber atendimento médico. Ao longo desse período, a menina passou por uma série de exames, incluindo uma biópsia da medula óssea, mas os resultados não confirmaram as suspeitas médicas.
Enquanto os problemas continuavam, a mãe passou a controlar cada vez mais a rotina da filha. Nina deixou de frequentar a escola, passou a usar cadeira de rodas e ficou mantida em uma cama na sala de casa.
O comportamento da mãe diante do sofrimento da filha também ficou marcado na memória de Nina. “Não consigo explicar o quanto foi horrível ver minha mãe parecer estar gostando da minha dor”, disse à BBC.
A falta de mobilidade fez com que Nina ficasse enfraquecida e fosse encaminhada para uma clínica de reabilitação. Mesmo durante os períodos em que permanecia na instituição, os fins de semana em casa eram marcados pela retomada do controle da mãe sobre sua rotina.
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Em determinado momento, a mãe disse à filha: “Você vai morrer”. Nina também relatou que sua alimentação era restringida, que passou a utilizar uma sonda e que era obrigada a tomar 20 comprimidos por dia.
Diante da situação, ela chegou a pedir ajuda médica para morrer. Foi nesse contexto que um médico descobriu que Nina era vítima da Síndrome de Munchausen por Procuração, situação em que um cuidador provoca ou induz doenças em uma criança.
Depois da descoberta, Nina passou por anos de terapia. Mais tarde, rompeu com os pais e refez a própria vida.
Ao falar sobre a trajetória que enfrentou, Nina deixou uma mensagem sobre a vida após os anos de sofrimento: “Estou tão feliz por ter sobrevivido, e há tantas coisas pelas quais vale a pena viver”.



