A disseminação de notícias falsas entrou em uma nova fase com o avanço da inteligência artificial. Um estudo conduzido pela Agência Lupa revela que o uso dessas ferramentas deixou de ser pontual e passou a integrar estratégias organizadas de desinformação, principalmente no campo político.
De acordo com o levantamento, mais de 80% dos conteúdos falsos com uso de IA foram registrados apenas nos últimos dois anos, evidenciando uma aceleração significativa do fenômeno.
No Brasil, o crescimento é ainda mais expressivo. Entre 2024 e 2025, os casos aumentaram mais de 300%, saltando de 39 para 159 ocorrências identificadas — um avanço que indica mudança estrutural no uso da tecnologia para manipulação de informações.
Deepfakes e manipulação sofisticada
Os conteúdos enganosos vão além de textos falsos. A pesquisa aponta o uso crescente de imagens geradas por inteligência artificial, áudios manipulados e vídeos do tipo deepfake — nos quais rostos e vozes de figuras públicas são simulados para transmitir mensagens que nunca foram ditas.
Esse tipo de material aumenta o poder de convencimento das fake news, dificultando a identificação por parte do público e ampliando o alcance das mensagens.
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Política no centro da desinformação
Segundo o estudo, temas como eleições, guerras e golpes estão entre os mais explorados nas publicações falsas. Em 2025, quase metade dos conteúdos com IA tinha viés político, mostrando que a tecnologia vem sendo utilizada de forma estratégica para influenciar o debate público.
A própria dinâmica de circulação também mudou. Embora aplicativos como o WhatsApp ainda sejam relevantes, a desinformação tem se espalhado por múltiplas plataformas, incluindo redes sociais e aplicativos de vídeos curtos.
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Desafio crescente para a sociedade
Para especialistas, o avanço desse tipo de conteúdo exige uma resposta mais ampla, que passa pela chamada educação midiática — ou seja, o desenvolvimento da capacidade crítica dos usuários para identificar informações falsas.
“A IA dificilmente tem sido feita para impulsionar conteúdos verdadeiros”, afirmou uma das responsáveis pelo estudo, destacando o risco em períodos eleitorais, quando o volume de desinformação tende a crescer.
O levantamento reforça que o combate às fake news não depende apenas de tecnologia, mas também de informação de qualidade e da preparação da sociedade para lidar com um ambiente digital cada vez mais complexo.
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