O fascínio de um adolescente pela ciência quase se transformou em uma tragédia de grandes proporções nos Estados Unidos. Aos 17 anos, David Hahn construiu uma espécie de reator nuclear improvisado em um galpão no quintal da casa onde vivia com a família. A experiência, feita com materiais comuns e facilmente encontrados, colocou em risco a saúde de mais de 40 mil pessoas da comunidade local.
Conhecido posteriormente como “o escoteiro radioativo”, Hahn começou a se interessar por química ainda na infância. Aos 10 anos, já fazia experimentos por conta própria, mas sua curiosidade ganhou contornos perigosos quando ele decidiu reunir materiais radioativos por conta própria. Usando itens como filtros de café, potes de picles e elementos químicos adquiridos de fontes inusitadas — como lanternas, relógios antigos, miras de armas e baterias —, o jovem conseguiu montar uma fonte de nêutrons artesanal.
++ Telescópio James Webb detecta pela primeira vez CO² fora do Sistema Solar
Embora o equipamento não tenha tido capacidade de gerar uma reação nuclear completa, ele foi suficiente para liberar radiação ao redor. A situação só veio à tona quando Hahn foi parado pela polícia e revelou que carregava materiais radioativos no porta-malas do carro. O alerta fez com que agentes federais fossem mobilizados e a Agência de Proteção Ambiental (EPA) fosse chamada para lidar com a contaminação.
O galpão usado nos experimentos foi isolado, e os resíduos foram removidos com apoio de especialistas. Nenhuma pessoa sofreu efeitos imediatos da exposição, mas especialistas alertaram que a sorte foi um fator determinante para evitar danos maiores.
Segundo o professor Luiz Antonio Andrade de Oliveira, do Instituto de Química da Unesp, o maior risco não vem das reações químicas, mas da radiação emitida por materiais como o tório, usado por Hahn. O elemento libera radônio, um gás extremamente pesado e perigoso quando inalado, capaz de causar sérios danos pulmonares, incluindo câncer.
++ Greenpeace é condenado a pagar multa bilionária em disputa judicial e pode ir a falência
O caso levantou questionamentos sobre o acesso a materiais sensíveis e a importância de uma vigilância mais rigorosa sobre substâncias radioativas. Para os especialistas, o episódio é um alerta sobre os perigos da manipulação inadequada de elementos químicos, especialmente em ambientes domésticos e sem supervisão.
A história de David Hahn terminou sem vítimas, mas serviu de exemplo mundial de como a combinação entre curiosidade científica e descuido pode representar um risco real para milhares de pessoas.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



