
Prédio de quatro andares desabou no Brás, na região central de São Paulo. Vinte e sete pessoas foram resgatadas; quatro tiveram ferimentos leves. (Foto: Instagram)
Um prédio de quatro andares desabou no fim da tarde de sexta-feira, 6, na Rua Maria Joaquina, número 192, no Brás, região central de São Paulo. No imóvel funcionava uma loja de roupas, que, segundo as informações iniciais, não tinha Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) regular.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 18h40 e mobilizou 51 homens e 17 viaturas. Segundo a capitã Karoline Magalhães, porta-voz da corporação, havia 35 pessoas no prédio. Oito conseguiram sair antes da chegada das equipes; as outras 27 foram resgatadas. Quatro tiveram ferimentos leves e foram encaminhadas à UPA da Mooca em estado estável.
Às 22h30, a Polícia Militar e os bombeiros interromperam os trabalhos devido ao risco de novos desabamentos, e a área foi totalmente isolada. Na atualização divulgada à 0h21 de sábado, 7, 13 viaturas continuavam no local, com equipes removendo escombros e procurando possíveis vítimas. Cães farejadores também foram enviados para ajudar a confirmar se havia alguém no imóvel.
As causas ainda não foram esclarecidas, e a prioridade das autoridades era verificar se havia outras vítimas. O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, relatou que conversou com a proprietária da loja, uma mulher chinesa cuja identidade não foi divulgada. Segundo ele, ela recebeu dois contêineres: um foi descarregado pela manhã e levado para os andares superiores; o descarregamento do segundo começou depois das 18h.
Nico Gonçalves afirmou que a perícia ainda deverá determinar o que provocou o colapso, mas que a queda teria começado no mezanino, onde havia sido colocado muito peso. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também apontou o excesso de peso como principal hipótese, mencionando a chegada de caminhões para armazenar tecidos no imóvel.
Trabalhadores que estavam no prédio relataram os momentos do desabamento e a espera pelo resgate. Wesley, que não informou o sobrenome, disse que a estrutura começou a ceder pela parte da frente e caiu até a metade, enquanto ele estava nos fundos. Paulo Fernandes, de 25 anos, afirmou que os tecidos armazenados ajudaram a sustentar uma parte da estrutura.
A Companhia de Engenharia de Tráfego bloqueou a Rua Maria Joaquina, a Rua Xavantes no cruzamento com a Rua Mendes Jr. e a Rua Oriente no cruzamento com a Rua Xavantes. O caso é o segundo desabamento grave na capital em menos de 60 dias. Em 12 de setembro, seis pessoas, incluindo uma criança, morreram quando um prédio em construção caiu sobre uma casa na Penha, na zona leste.
Um homem apontado como sócio-proprietário oculto da construtora responsável pela obra foi preso temporariamente. Também foram expedidos mandados de prisão temporária contra dois representantes da empresa, cujos empreendimentos chegaram a ser bloqueados na cidade. O engenheiro Fabio José de Oliveira, que vistoriou o edifício, identificou falhas graves e risco de colapso, segundo depoimento à Controladoria-Geral do Município de São Paulo (CGM), em 18 de setembro. A liberação da construção pela fiscalização municipal passou a ser investigada.



