
Santiago Peña anunciou que deixará a Presidência do Paraguai após o avanço de um pedido de impeachment. (Foto: Instagram)
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira, 5, que deixará o cargo. A decisão foi comunicada em uma publicação nas redes sociais, após um pedido de impeachment contra ele avançar no Congresso paraguaio, em meio ao agravamento das crises financeira e política no país.
A crise bancária começou após a dissolução do Ueno Bank, maior banco digital paraguaio. O Banco Central do Paraguai interveio na instituição depois de concluir que ela havia descumprido os requisitos mínimos de solvência. Com isso, cerca de 3 milhões de clientes ficaram sem acesso às contas, em um país com 6,5 milhões de habitantes.
O caso provocou protestos em Assunção e levou à detenção de oito executivos e empresários ligados ao banco. A oposição convocou uma sessão extraordinária no Congresso para iniciar o processo de apresentação do pedido de impeachment, enquanto manifestantes cobravam a saída de Peña.
Na manhã desta quinta-feira, o presidente também perdeu o apoio de integrantes de seu próprio partido conservador. Aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, Peña deve ser sucedido pelo vice-presidente Pedro Alliana. Parlamentares o acusaram de conflitos de interesse, uso indevido de fundos de previdência e encobrimentos institucionais relacionados ao colapso do Ueno, que passou de uma fintech de nicho a um banco de médio porte com cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos sob administração.
Peña ainda precisa apresentar formalmente a renúncia ao Congresso, que decidirá se a aceita. Caso os parlamentares não a aprovem, o processo de impeachment iniciado nesta quinta-feira deverá prosseguir.
Economista de formação, Peña disse que atravessa um dos momentos mais difíceis de sua vida. Afirmou ter decidido renunciar por considerar a estabilidade do país, a paz social e a preservação das instituições democráticas. Também declarou respeito à Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos do Paraguai, e disse que a história julgará os acontecimentos.
O presidente pediu desculpas à população caso tenha falhado e afirmou que sua prioridade é a tranquilidade dos paraguaios. Em mensagem aos compatriotas, defendeu a confiança na capacidade do povo e das instituições para superar a situação e pediu que a democracia e as instituições sejam respeitadas, acima das diferenças.



