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quinta-feira, novembro 5, 2026

Negociar com fornecedores ajuda varejo de bebidas a proteger margens em cenário cambial instável

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Comércio global de vinhos movimentou € 33,8 bilhões em 2025, mas recuou em valor e volume. No Brasil, o cenário reforça a importância de planejar compras e estoques para proteger as margens. (Foto: Instagram)

O comércio internacional de vinhos movimentou € 33,8 bilhões em 2025, apesar de uma queda de 6,7% no valor das exportações, segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). O volume negociado também diminuiu, em meio à incerteza comercial e a mudanças no consumo. Para o varejo de bebidas importadas, esse cenário reforça a importância de decidir quanto comprar, em quais condições e por quanto tempo manter o capital comprometido com os produtos.

No Brasil, vender mais não significa necessariamente obter maior rentabilidade. Levantamento da Ideal BI Consulting divulgado pela ProWine São Paulo estimou em R$3,9 bilhões a movimentação do mercado de vinhos no primeiro trimestre de 2025. No período, as importações avançaram 14% em volume e 15% em valor, mas os indicadores da consultoria apontavam dificuldades para ampliar as margens.

Luiz Gustavo Paterlini, administrador e engenheiro com mais de três décadas de experiência em finanças, distribuição e varejo de bebidas e alimentos, afirma que parte da resposta está na estrutura das compras. Para ele, a negociação deve considerar em conjunto custo, prazo e capacidade de venda. Um desconto pode parecer vantajoso, mas perder efeito se exigir um volume acima da demanda ou se o produto demorar a sair do estoque.

A influência do câmbio também exige atenção. Mesmo quando a compra é feita de um distribuidor brasileiro e paga em reais, a reposição pode refletir mudanças nos custos de importação. O impacto depende dos estoques existentes, dos contratos e das condições de cada fornecedor, e não acompanha necessariamente a cotação do dólar na mesma proporção ou no mesmo momento. Por isso, o varejista precisa avaliar o custo de recompor o estoque e a margem que restará após a venda.

Segundo Paterlini, programação de compras, concentração de pedidos e acordos de fornecimento reduziram entre 10% e 15% os custos de aquisição de bebidas importadas em operações de sua experiência. O resultado varia conforme volume, categoria, período e condições comerciais, portanto não é uma referência garantida para outros negócios. Antecipar compras para evitar aumentos também requer cautela, sobretudo com rótulos caros ou de procura irregular, pois o desconto precisa compensar o capital imobilizado e o risco de demora na venda.

Entregas fracionadas, revisão de volumes e calendários de reposição podem tornar o abastecimento mais eficiente e reduzir a necessidade de pedidos urgentes. A estratégia depende do perfil do cliente: lojas especializadas precisam equilibrar variedade e disponibilidade, enquanto bares, restaurantes e hotéis necessitam de regularidade e continuidade dos produtos de suas cartas e drinques. Estoque insuficiente pode causar rupturas; excesso pressiona o capital de giro.

A seleção do mix também deve acompanhar o público, com diferentes origens, faixas de preço e produtos nacionais. Substituir um importado mais caro não garante que o consumidor aceitará outro rótulo, observa Paterlini, que defende alternativas coerentes com a ocasião, o paladar e o orçamento. Ele também estuda estruturar em Miami uma operação para importar e distribuir produtos brasileiros premium, considerando logística, exigências locais, regularidade e condições de reposição.

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