
Midterms impõem derrota histórica a Trump e ampliam a maioria democrata na Câmara. (Foto: Instagram)
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, representaram uma derrota histórica para o presidente Donald Trump e o Partido Republicano. A oposição democrata conquistou a maioria das cadeiras da Câmara dos Representantes e parte das vagas do Senado.
Até as 18h30 de quarta-feira, os democratas haviam garantido 54 das 100 cadeiras do Senado, contra 44 dos republicanos. Na Câmara, a oposição elegeu 237 deputados, enquanto o partido de Trump conquistou 139 vagas. Outras 59 ainda estavam em disputa.
Com a nova composição do Congresso, Trump poderia enfrentar um processo de impeachment. Especialistas avaliam que pedidos podem ser apresentados, mas a destituição exige o apoio de dois terços do Senado. No primeiro mandato, o presidente passou por dois processos e foi absolvido em ambos.
O primeiro foi aberto em setembro de 2019, por acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso. Trump teria pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar Hunter Biden, filho de Joe Biden, que naquele momento era candidato à Presidência. A Câmara aprovou o processo em dezembro de 2019 e o encaminhou ao Senado. Em fevereiro de 2020, às vésperas da pandemia de covid-19, Trump foi absolvido pela maioria dos votos.
Em janeiro de 2021, o presidente foi acusado de incitação à insurreição, após seus apoiadores invadirem o Congresso, em 6 de janeiro, numa tentativa de impedir a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden. Trump foi absolvido novamente em fevereiro. Com dois processos, tornou-se o primeiro presidente da história dos Estados Unidos a sofrer dois impeachments.
Para Josemar Franco, cientista gerente de Comércio Internacional da BMJ Consultores, é pouco provável que Trump enfrente um novo processo no início da legislatura. A conclusão de um impeachment dependeria de 67 votos favoráveis no Senado. Franco afirma que ainda é preciso acompanhar os próximos passos da maioria democrata nas duas Casas. A Constituição dos Estados Unidos prevê como motivos para destituição traição, suborno, corrupção ou outros crimes graves e contravenções. A abrangência desses termos permite interpretações, mas a quantidade de votos necessária é um obstáculo decisivo.
Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em Análise de Política Internacional, também considera que somente uma ameaça séria à segurança dos Estados Unidos poderia levar à perda do cargo. Outra possibilidade, segundo ela, seria a união de republicanos independentes com os democratas para votar contra Trump. Pecequilo avalia que é cedo para prever uma nova tentativa: as duas anteriores não tiveram sucesso e, na prática, fortaleceram a narrativa do presidente. Para Franco, os democratas eleitos deveriam priorizar medidas concretas sobre custo de vida e inflação, fiscalizar o governo e avaliar projetos para conter a alta dos preços, em vez de concentrar esforços na abertura de um impeachment.



