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quinta-feira, novembro 5, 2026

Greve na França reúne sindicatos, estudantes e coletes amarelos e pressiona governo

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Trabalhadores, estudantes e outros grupos participam de uma greve nacional na França por salários maiores e pela defesa do poder de compra. (Foto: Instagram)

A França vive nesta quinta-feira (5) uma nova jornada de mobilização social. Sindicatos convocaram trabalhadores dos setores público e privado para uma greve nacional em defesa do poder de compra e por aumentos salariais. Estudantes do ensino secundário e universitários, integrantes dos coletes amarelos e organizações agrícolas também participam dos atos, em meio à insatisfação com a inflação e as propostas econômicas do governo.

As centrais sindicais esperam uma mobilização comparável à dos protestos contra a reforma da Previdência, em 2023, quando algumas jornadas reuniram até 1,3 milhão de pessoas em todo o país, segundo as autoridades. Para esta quinta-feira, a estimativa oficial é de 500 mil a 700 mil participantes fora de Paris e de 40 mil a 80 mil na capital. Na véspera, o ministro do Interior, Laurent Núñez, anunciou o deslocamento de 70 mil policiais e o governo prometeu agir com “extrema firmeza” diante de violência ou vandalismo.

Nas primeiras horas da manhã, os efeitos da greve no transporte público da região parisiense eram considerados limitados. Alguns passageiros relataram atrasos e cancelamentos de trens, enquanto outros conseguiram viajar sem grandes dificuldades.

Entre as reivindicações estão a valorização do salário mínimo francês, o Smic, reajustes salariais mais amplos, justiça fiscal, manutenção dos serviços públicos e melhores condições de ensino. O debate sobre o Smic ganhou força depois que o ministro do Trabalho afirmou nesta semana que espera fazer anúncios “por volta de 5 de novembro”, sem esclarecer se haverá aumento real. Frédéric Souillot, dirigente da Force Ouvrière (FO), pediu decisões mais rápidas e negociações salariais abrangentes. Ele também mencionou a possibilidade de novos protestos e de uma greve por tempo indeterminado.

A mobilização ocorre após a alta dos preços dos combustíveis e a apresentação de um projeto de orçamento com cortes nas despesas públicas. Uma pesquisa divulgada na quarta-feira (4) por organizações reunidas no “Pacto pelo Poder de Viver”, entre elas a CFDT, apontou que uma em cada duas pessoas tem dificuldade para viver com a renda de seu domicílio. Desde o início de setembro, manifestantes também denunciam restrições ao direito de protestar e limitações impostas por autoridades locais aos trajetos das marchas.

A disputa sobre os percursos autorizados provocou divergências em várias cidades. Em Toulouse, os sindicatos mantiveram o trajeto inicialmente previsto. Em Bordeaux, organizadores e a autoridade local de segurança chegaram a um acordo para uma marcha pelo centro, embora algumas ruas comerciais tenham ficado fora da área autorizada. Em Lyon, a Justiça confirmou a proibição de protestos no centro e determinou um percurso alternativo.

Em Paris, o tribunal administrativo validou na noite de quarta-feira o trajeto alternativo proposto pela prefeitura de polícia, entre as praças da República e da Nação, contra a vontade dos organizadores. Apesar das críticas, lideranças sindicais disseram que orientariam os manifestantes a seguir o percurso autorizado. Sophie Binet, secretária-geral da CGT, acusou o governo de promover uma “deriva autoritária”. O Sindicato da Magistratura, o Sindicato dos Advogados da França e a Liga dos Direitos Humanos também criticaram as restrições e recorreram ao Conselho de Estado.

Novas mobilizações já estão previstas. A coordenação dos coletes amarelos convocou um ato para sábado na Praça da Concórdia, em Paris, embora a manifestação tenha sido proibida pelas autoridades. O grupo anunciou ainda ações coordenadas contra o alto custo de vida no fim de novembro, junto a sindicatos e associações de defesa do direito à moradia de Itália, Portugal, Espanha, Bélgica, Grécia e Reino Unido. A jornada desta quinta-feira é vista como um teste da capacidade sindical de ampliar a contestação para além dos salários e manter o poder de compra entre as principais fontes de pressão sobre o governo nas próximas semanas.

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