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terça-feira, novembro 3, 2026

Merz quer que a Alemanha eleja sua primeira mulher para a Presidência

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Friedrich Merz defende que uma mulher suceda Frank-Walter Steinmeier na Presidência da Alemanha. (Foto: Instagram)

O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, defendeu nesta segunda-feira (02/11) que uma mulher suceda Frank-Walter Steinmeier na Presidência da Alemanha. Em 77 anos de República Federal, o cargo foi ocupado apenas por homens. “Minha decisão está tomada em um ponto: tem que ser uma mulher”, disse Merz em uma reunião fechada de dirigentes da União Democrata Cristã (CDU), em Berlim. Participantes do encontro repassaram a declaração à imprensa alemã.

Sem apontar uma candidata, o chanceler afirmou que pretende apresentar à CDU um nome de consenso do centro político. Foi sua primeira manifestação sobre o perfil da sucessora após meses de especulações. Os apelos por uma candidatura feminina aumentaram desde o início do ano. Angela Merkel também apoiou a ideia nesta semana. “Todos deveriam se perguntar se talvez não tenha finalmente chegado a hora”, afirmou a ex-chanceler à MagentaTV, sem mencionar nomes.

A eleição do sucessor de Steinmeier, do Partido Social-Democrata (SPD), está marcada para 30 de janeiro. Ele ocupa a Presidência desde 2017 e encerrará seu segundo mandato de cinco anos em março do próximo ano. Embora seja chefe de Estado e possa assinar acordos e tratados internacionais e nomear ministros, o presidente alemão tem poderes principalmente simbólicos. A condução da política cabe ao governo liderado pelo chanceler.

A escolha é feita pela Convenção Federal, composta por parlamentares do Bundestag, a câmara baixa do Parlamento, e representantes indicados pelos 16 estados. O colégio eleitoral terá 1.260 integrantes, divididos igualmente entre deputados federais e delegados estaduais. A disputa pela indicação já movimenta partidos da coalizão e da oposição.

A União Social Cristã (CSU), aliada da CDU na Baviera, lançou Ilse Aigner, presidente do Parlamento estadual bávaro. Ela é elogiada por favorecer o diálogo entre partidos e conta com apoio de integrantes do SPD e dos Verdes. Merz, porém, afirma que cabe à CDU, maior força na Convenção Federal, indicar a candidata conservadora. Uma primeira definição pode ocorrer em 9 de novembro, quando a direção do partido voltará a se reunir. Até lá, ele pretende conversar com líderes regionais da CDU e dirigentes da CSU para buscar um nome comum.

Entre as possíveis candidatas da CDU estão Julia Klöckner, presidente do Bundestag, cuja indicação enfrenta resistência entre social-democratas por seu perfil combativo no Parlamento; Karin Prien, ministra da Educação; Annegret Kramp-Karrenbauer, ex-presidente da CDU e ex-ministra da Defesa; e Ines Claus, líder da bancada democrata-cristã em Hesse. Prien seria a primeira pessoa com raízes judaicas a ocupar a Presidência; seus avós sobreviveram ao Holocausto. Depois de definir uma candidata conservadora, Merz quer negociar com o SPD e os Verdes para ampliar o apoio na Convenção. Conservadores e social-democratas têm juntos uma maioria apertada no colégio eleitoral.

Antes da declaração do chanceler, também eram mencionados Boris Rhein, governador de Hesse; Stephan Harbarth, presidente do Tribunal Constitucional Federal; e Udo Di Fabio, ex-juiz da mesma corte. Com a preferência explícita de Merz por uma mulher, as chances dos três homens passaram a ser consideradas remotas.

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