
Eleitores dos Estados Unidos vão às urnas em uma eleição que pode redefinir o controle do Congresso e os últimos dois anos do mandato de Donald Trump. (Foto: Instagram)
Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (03) em eleições de meio de mandato que podem definir o rumo dos dois últimos anos de Donald Trump na Casa Branca. As primeiras seções eleitorais abrem às 6h no horário local (8h em Brasília), em vários estados da Costa Leste. A votação ocorre um dia depois de a Suprema Corte barrar um pedido do governo sobre cerca de 20 mil votos enviados pelo correio na Califórnia.
O Departamento de Justiça alegou que mais de 20 mil eleitores poderiam não ser cidadãos americanos e solicitou que as cédulas fossem separadas até a verificação da situação dessas pessoas. A Suprema Corte rejeitou o pedido de emergência sem apresentar justificativa detalhada. Tribunais inferiores já haviam negado a solicitação, e autoridades da Califórnia questionaram a confiabilidade da lista federal usada pelo governo, alertando para o risco de excluir eleitores habilitados.
Cerca de 210 milhões de pessoas estão registradas para votar nos Estados Unidos. Até segunda-feira, mais de 58 milhões já tinham votado antecipadamente, presencialmente ou pelo correio. A expectativa é de que a participação ultrapasse 100 milhões, caso se aproxime do total das eleições legislativas de 2022. Nesta terça-feira (3), serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e escolhidos 35 senadores. Também haverá eleições para governador em 36 estados, além de disputas estaduais e municipais.
Os republicanos tentam manter a maioria nas duas casas do Congresso, enquanto os democratas buscam recuperar o controle da Câmara e conquistar o Senado. Atualmente, a composição do Senado é de 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes alinhados ao bloco democrata. Das 35 cadeiras em disputa, 22 são ocupadas por republicanos e 13 por democratas. Para obter a maioria, os democratas precisam conquistar um saldo líquido de quatro assentos.
Michigan, Texas e Kansas estão entre os estados acompanhados de perto. Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed enfrenta o republicano Mike Rogers na disputa pelo Senado. A corrida ganhou repercussão nacional depois que a deputada democrata Haley Stevens declarou apoio a Rogers. Texas e Kansas, estados tradicionalmente republicanos, também têm disputas capazes de influenciar a composição da Casa.
Organizações de defesa dos direitos eleitorais e comunidades imigrantes estão preocupadas com a possibilidade de operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) perto dos locais de votação. O governo federal afirmou que não planeja patrulhamento do ICE nesses locais. Nas últimas semanas, porém, houve denúncias de intimidação de eleitores na Califórnia e no Arizona, além de relatos na Geórgia, em Michigan e na Carolina do Norte. Até o momento, não há confirmação de uma operação migratória generalizada durante a votação.
Em Washington, as atenções também se voltam à segurança, à atuação das autoridades eleitorais e à possibilidade de ações judiciais contra os resultados. Além das disputas para o Congresso e os governos estaduais, os eleitores escolherão legisladores estaduais, prefeitos, xerifes e outras autoridades locais, conforme a região. Algumas cédulas incluem propostas sobre impostos, mudanças constitucionais, educação, segurança e outras políticas públicas.
A apuração começará quando as urnas forem fechadas em cada estado, em horários diferentes por causa dos fusos horários americanos. Em disputas com margens amplas, os vencedores poderão ser projetados ainda na noite de terça-feira; corridas mais apertadas, especialmente para o Senado, podem levar dias para serem definidas. O resultado mostrará se Trump manterá uma maioria republicana no Congresso ou enfrentará uma ou duas casas legislativas controladas pela oposição nos dois últimos anos de seu mandato.



