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sexta-feira, outubro 30, 2026

Eleição deixa Israel em impasse, e falta de maioria de Netanyahu pode levar a novo pleito

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Bloco de Netanyahu vence eleição em Israel, mas fica sem maioria no Parlamento. (Foto: Instagram)

Os resultados oficiais das eleições legislativas de Israel, divulgados na madrugada desta sexta-feira (30), confirmaram a vitória do bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, mas sem uma maioria para governar. A coalizão de direita e extrema direita conquistou 53 das 120 cadeiras do Parlamento (Knesset), enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot obteve 48. Os partidos árabes, com 19 assentos, tornaram-se decisivos nas negociações.

O Likud, partido de Netanyahu, foi a legenda mais votada e elegeu 27 deputados. Mesmo assim, nenhum dos principais blocos alcançou os 61 assentos necessários para formar uma maioria parlamentar. O resultado abre semanas de negociações e deixa Israel diante da possibilidade de novas eleições. A participação, próxima de 78%, foi recorde e refletiu, segundo analistas israelenses, a polarização política e a preocupação com a segurança regional e os efeitos dos ataques de 7 de outubro de 2023.

Os partidos árabes Raam e Lista Unificada somaram 19 cadeiras e podem apoiar uma coalizão ou bloquear acordos rivais. A formação de um governo, porém, enfrenta divergências sobre segurança, religião, a relação entre o Estado e o judaísmo ortodoxo e o futuro das instituições israelenses. A participação ou o apoio dessas legendas a um governo encontra resistência em setores da direita e também em parte da oposição.

Os resultados finais serão entregues formalmente ao presidente Isaac Herzog na próxima quarta-feira (4), embora as negociações tenham começado após a divulgação dos números. Herzog receberá as recomendações dos partidos representados no Parlamento e indicará quem considera mais apto a formar uma coalizão: Netanyahu ou Eisenkot. O escolhido terá 28 dias para cumprir a tarefa, com possibilidade de prorrogação por mais 14. As alternativas incluem uma coalizão majoritária, um governo minoritário com apoio externo ou uma ampla aliança de união nacional. Herzog pediu flexibilidade para evitar que a população volte às urnas em pouco tempo.

Eisenkot admite não contar com os 61 assentos, mas pretende usar a posse do novo Parlamento, marcada para 10 de novembro, para tentar aprovar medidas sensíveis. Entre elas estão o serviço militar obrigatório universal, rejeitado historicamente pelos partidos ultraortodoxos judeus, e uma comissão nacional de investigação sobre as falhas que antecederam os ataques de 7 de outubro de 2023. A estratégia dependeria do apoio ou da abstenção dos parlamentares árabes. O Likud a rejeita, e Avigdor Liberman também se opõe a um acordo sustentado por essas legendas. Mansour Abbas, líder do Raam, demonstrou ceticismo sobre a viabilidade de um governo minoritário.

Após a votação, integrantes do campo de Netanyahu divulgaram acusações de que partidos árabes teriam recebido recursos do Catar para financiar compra de votos. As legendas citadas e o governo catariano negaram as alegações. Eisenkot acusou Netanyahu de tentar “deslegitimar os resultados” sem apresentar provas conclusivas. O Shin Bet confirmou investigações sobre possíveis irregularidades, mas disse que elas não visam incriminar coletivamente uma comunidade que participou legal e democraticamente. A Comissão Eleitoral classificou parte das informações como “totalmente infundada” e afirmou que eventuais apurações não afetam a validação oficial.

Sem maioria clara, Israel pode enfrentar nova paralisia política. O sistema proporcional favorece a fragmentação e torna partidos médios ou pequenos importantes para formar governos. O impasse ocorre enquanto a guerra iniciada após os ataques de 7 de outubro de 2023 continua influenciando o debate e as tensões nas fronteiras permanecem elevadas. Se nenhum líder reunir apoio suficiente nas próximas semanas, os israelenses poderão ser novamente convocados às urnas.

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