17.1 C
São Paulo
quinta-feira, outubro 29, 2026

Carta de Flávio Bolsonaro teve três versões, erro no brasão e autoproclamação

Leia mais


Aliados de Flávio Bolsonaro divulgaram três versões de uma carta à comunidade internacional em menos de uma hora. O texto mudou após críticas e trouxe alegações sem provas sobre a eleição. (Foto: Instagram)

Aliados de Flávio Bolsonaro divulgaram, em menos de uma hora, três versões de uma carta dirigida à comunidade internacional. O documento, com teor golpista, foi publicado inicialmente por Paulo Figueiredo nos Estados Unidos, para onde o senador viajou depois de ser superado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva. A sequência de alterações, relatada pelo jornal O Globo, incluiu mudanças no texto e no símbolo usado no manifesto.

A primeira versão enviada à imprensa trazia o brasão oficial do período da Proclamação da República, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”. O símbolo foi substituído pela ditadura militar em 1968. A escolha provocou repercussão, e o documento foi revisado rapidamente nas redes sociais antes de chegar à versão final.

Na segunda versão, publicada no perfil oficial do parlamentar na plataforma X, Flávio Bolsonaro se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Para sustentar a afirmação, alegou ter presenciado irregularidades na eleição vencida pela chapa petista por uma diferença de 4,4 milhões de votos, mas não apresentou provas das acusações.

Horas depois, uma terceira edição mudou a identificação no cabeçalho: em vez de “verdadeiro presidente eleito”, o senador passou a ser descrito como “líder do Brasil”. O texto manteve críticas, sem provas, a decisões do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, relacionadas ao horário de votação em seções específicas.

No manifesto, Flávio Bolsonaro agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento. Também prometeu organizar a oposição ao governo federal a partir dos Estados Unidos. A divulgação da carta ocorreu junto à confirmação do percurso usado pelo senador para deixar o Brasil.

Dados da fiscalização da Ponte Internacional Tancredo Neves indicaram que ele entrou na cidade de Puerto Iguazú com passaporte italiano. De lá, embarcou em um jatinho particular para Guayaquil, no Equador, e depois seguiu até o aeroporto executivo de Opa Locka, na região de Miami.

A viagem ocorreu apesar de uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A pedido da Polícia Federal, a Corte havia determinado a apreensão e o cancelamento dos documentos de viagem do senador, diante do risco de evasão nas investigações criminais em andamento. Como ele não entregou os passaportes às autoridades brasileiras no prazo fixado, a corporação deu prosseguimento aos procedimentos formais de apuração e responsabilização jurídica.

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias