22.8 C
São Paulo
sexta-feira, outubro 30, 2026

Especialistas destacam atuação de Janones na vitória de Lula

Leia mais


André Janones ganhou destaque na campanha digital que acompanhou a reeleição de Lula. (Foto: Instagram)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil na noite de domingo, 25, em uma virada histórica. Depois de ficar atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, o petista venceu com mais de 51,79% dos votos. Especialistas apontam o deputado federal André Janones (Rede-MG) como um dos responsáveis pelo resultado.

Após o primeiro turno, cujo resultado ficou aquém do esperado pela campanha de Lula, a equipe buscou se modernizar e recebeu o apoio de aliados políticos mais jovens. Nesse contexto, a atuação de Janones nas redes sociais se intensificou e ganhou força entre os apoiadores do petista.

Janones administrou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reúne quase 11 milhões de inscritos. O espaço divulgava materiais de campanha e também servia para mobilizar eleitores. Entre as iniciativas estiveram um panelaço durante a sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo e um pedido para que apoiadores publicassem fotos usando a camisa da Seleção e fazendo o “L” com a mão, como forma de mostrar que os símbolos nacionais não pertencem apenas à direita.

João Ricardo Matta, doutor em Marketing e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), chamou Janones de “herói do PT”. Segundo ele, o deputado assumiu a campanha digital, retirando essa tarefa da primeira-dama Janja da Silva, da liderança partidária e da estrutura oficial da organização. Matta avalia que Janones mudou o rumo da disputa e saiu fortalecido, com condições de ocupar um cargo como o de ministro. Para o professor, o deputado foi o nome da eleição e teve papel decisivo na vitória.

Adriane Buarque de Holanda, coordenadora do ESFERA Lab – Laboratório de Pesquisa Política da ESPM, também considera que Janones fez diferença, principalmente ao mobilizar jovens que incentivaram familiares mais velhos a votar. Ela destacou o envolvimento de pais e avós que não haviam votado no segundo turno e descreveu a mobilização como uma ação em defesa da democracia. Buarque de Holanda também ressaltou o compartilhamento de conteúdos e as interações nas redes, apesar dos obstáculos dos algoritmos, além da presença de apoiadores nas ruas.

Matta atribuiu a derrota de Flávio Bolsonaro, em parte, à influência de Pablo Marçal no segundo turno. Na avaliação do professor, o empresário teria orientado o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a adotar um tom mais “virulento” e “agressivo”. Matta citou como exemplo Flávio chamar Lula de “nove dedos” durante o debate da TV Globo, na sexta-feira, 23, atitude que considerou indelicada para uma campanha presidencial. Também criticou a declaração do candidato, no dia da eleição, de que iria almoçar e depois voltaria para falar como presidente da República, avaliando que a postura poderia prejudicá-lo na reta final.

Em contraste, Matta afirmou que Lula confiou a Janones a condução da campanha, numa decisão que considerou corajosa. Segundo o professor, a equipe reduziu o espaço de Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência e experiente em campanhas, e transferiu a liderança para Janones. Matta descreveu o deputado como alguém com capacidade de mobilização e liderança na esquerda.

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias