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sexta-feira, outubro 30, 2026

Mobilização pró-Lula e rejeição ao bolsonarismo ajudam a explicar derrota de Flávio

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Flávio Bolsonaro perdeu a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de ter liderado o primeiro turno. Especialistas apontam a mobilização pró-Lula, a rejeição ao bolsonarismo e a dificuldade de ampliar apoios como fatores decisivos. (Foto: Instagram)

Flávio Bolsonaro (PL) perdeu a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de ter terminado o primeiro turno na liderança. A virada interrompeu uma sequência histórica: desde a redemocratização, em 1989, nenhum candidato que havia ficado à frente na primeira etapa tinha sido derrotado no segundo turno. Especialistas apontam a mobilização pró-Lula, a rejeição ao bolsonarismo e a dificuldade de Flávio para ampliar sua base como fatores do resultado.

A campanha do senador também enfrentou controvérsias ligadas ao Banco Master e ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL). A escolha de Flávio como sucessor político do pai gerou resistência na direita, onde havia defensores de outros nomes, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na avaliação da cientista política Karolina Mattos Roeder, da Uninter, dois movimentos da campanha petista contribuíram para a mudança.

O primeiro foi a ampliação da frente de apoio a Lula, que passou a reunir artistas, influenciadores, políticos, comunidades de fãs e pessoas sem experiência prévia de militância. Roeder afirmou que os fandoms mobilizaram jovens e eleitores menos interessados em política, transformando vínculos culturais em participação eleitoral. Esse engajamento, segundo ela, reduziu uma vantagem histórica da direita nas redes e ajudou a atrair pessoas que haviam se abstido ou votado em outros candidatos.

O segundo movimento foi a retomada de uma estrutura de comunicação digital ligada ao deputado federal André Janones (Rede-MG). O grupo voltou a mobilizar o chamado “exército do Lula” e produtores de conteúdo para disputar narrativas, responder à desinformação e divulgar mensagens em linguagem popular. Roeder avaliou que essa organização descentralizada permite reagir rapidamente a debates, notícias judiciais e acontecimentos de campanha.

A margem do primeiro turno também deixava espaço para os eleitores que não tinham escolhido nenhum dos dois candidatos. Rogério Baptistini, professor de Sociologia e cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destacou que a diferença foi de 1,87 ponto percentual, enquanto mais de 39 milhões de pessoas se abstiveram ou votaram em branco ou nulo. Entre os eleitores que haviam escolhido outros nomes, 40% declaravam intenção de votar em Lula, ante 36% em Flávio.

Os votos dos candidatos derrotados não migraram integralmente para um lado. Lula avançou entre eleitores de Augusto Cury, que havia declarado apoio a Flávio, enquanto o senador cresceu entre os que tinham votado em Ronaldo Caiado. Baptistini avaliou que o debate da Band não definiu claramente a preferência desse eleitorado. Assim, a liderança inicial não bastou para assegurar a vantagem no resultado final.

Flávio também precisou equilibrar a manutenção do apoio bolsonarista com a tentativa de conquistar o centro. Para Baptistini, declarações voltadas a agradar um grupo podiam afastar o outro. O professor citou a promessa de libertar o pai, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe, e afirmou que as referências a supostos vínculos com milicianos, feitas por Lula no debate da Band, dificultaram a aproximação do senador com eleitores centristas.

Baptistini considerou que a disputa foi marcada pela rejeição aos dois candidatos, mas que a antipatia ao bolsonarismo teve peso decisivo. Segundo ele, o receio do retorno da família Bolsonaro, a lembrança do 8 de janeiro e a possibilidade de perdão aos envolvidos mobilizaram eleitores. O centro, acrescentou, também avaliou o significado da candidatura para além de Flávio: um retorno ao poder de um movimento que não aceitou a derrota de 2022 e que, na visão do professor, poderia ameaçar a democracia construída a partir de 1988.

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