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quinta-feira, outubro 22, 2026

Jovem sobrevive a ataque de chimpanzés na infância e se torna campeão de luta livre

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Dunia Sibomana-Rodriguez, de 18 anos, conquistou um título nacional de luta livre nos Estados Unidos em março de 2026, após uma infância marcada por um ataque de chimpanzés na República Democrática do Congo. O jovem tinha apenas seis anos quando sofreu ferimentos graves no rosto e perdeu um dedo. Depois de passar por aproximadamente 16 cirurgias reconstrutivas e ser adotado por uma família norte-americana, ele se destacou nas competições escolares e conquistou uma bolsa de estudos na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill.

A conquista mais recente de Dunia aconteceu no campeonato da National High School Coaches Association, na categoria de 123 libras, equivalente a aproximadamente 56 quilos. O resultado encerrou uma trajetória escolar na qual ele também acumulou cinco títulos do Condado de Nassau e três campeonatos estaduais de Nova York.

Em entrevista à emissora norte-americana WABC, publicada em abril, o atleta falou sobre a possibilidade de chegar a esse nível no esporte depois de deixar seu país de origem. “Acho que nunca teria imaginado que estaria aqui, vindo do meu país e acabando por me tornar um bom lutador”, afirmou.

A história de Dunia começou a ganhar repercussão quando ele ainda era criança. Aos seis anos, enquanto vivia na República Democrática do Congo, foi atacado por um grupo de chimpanzés junto com seu irmão e um primo. O primo morreu, enquanto Dunia e o irmão ficaram feridos.

O menino sofreu lesões no rosto, nos lábios e na orelha direita, além de perder um dedo. As consequências do ataque comprometeram sua capacidade de falar normalmente e exigiram uma série de procedimentos médicos.

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Aos oito anos, Dunia foi levado aos Estados Unidos para receber tratamento no Hospital Infantil Stony Brook, em Nova York. Com o apoio da organização Smile Rescue Fund for Kids, teve acesso gratuito a cirurgias reconstrutivas destinadas a tratar os ferimentos e passou por cerca de 16 operações.

Depois de chegar aos Estados Unidos, Dunia viveu com diferentes famílias de acolhimento em Brooklyn e Long Island. Seus pais biológicos haviam morrido, e ele precisou se adaptar a um novo país, onde inicialmente não falava inglês e se comunicava apenas em suaíli.

Foi em Long Beach, no estado de Nova York, que Dunia conheceu a família Rodriguez. Miguel Rodriguez, treinador assistente de luta livre, soube da história do menino por meio de Isaiah Bird, atleta que nasceu sem as pernas e também praticava a modalidade.

A aproximação com Miguel e seus familiares levou Dunia a conhecer a luta livre. O esporte, que até então não fazia parte de sua vida, tornou-se uma atividade importante em sua rotina. “Mesmo sem saber muito sobre isso, a luta livre era exatamente o esporte certo para mim”, afirmou.

Com o passar do tempo, Dunia passou a fazer parte da família Rodriguez e foi adotado oficialmente quando cursava o ensino fundamental. Sob a orientação de Miguel, começou a treinar e participar de campeonatos escolares. Os resultados vieram ao longo da adolescência. Além dos três títulos estaduais e das cinco conquistas no Condado de Nassau, o jovem passou a ser reconhecido por seu desempenho nas competições de luta livre.

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Em novembro de 2024, Dunia anunciou que estudaria na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, com uma bolsa de estudos. A oportunidade permitiria que continuasse competindo após concluir o ensino médio.

Fora das competições, ele também passou a ajudar o pai adotivo no treinamento de crianças e adolescentes em Long Beach. O jovem se destacou ainda nos estudos e manifestou interesse em trabalhar no setor financeiro.

Em uma entrevista ao jornal Newsday, publicada em 2022, Dunia comentou sua adaptação à vida nos Estados Unidos e a convivência com os amigos. “A vida é boa. Estou muito feliz. Fiz muitos amigos em Long Beach. Sou apenas um cara normal que quer estar com os outros rapazes. Sei que ainda tenho um longo caminho pela frente, com mais cirurgias, mas confio nos meus médicos e sei que eles farão o que for melhor para mim”, declarou.

Ao falar sobre a própria experiência, Dunia disse que espera incentivar outras pessoas a não desistirem de seus objetivos, independentemente das dificuldades que enfrentem. “Não deixe que as pessoas determinem quem você é. Você deve construir sua própria história”, declarou à emissora.

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