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quinta-feira, outubro 22, 2026

França proíbe protestos em algumas regiões de Paris

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Policiais isolam monumento histórico em Paris após protestos estudantis (Foto: Instagram)

Após violentos distúrbios iniciados por protestos estudantis, a polícia de Paris proibiu manifestações em áreas estratégicas da cidade. A medida, anunciada para vigorar a partir desta quinta-feira (22/10), barra qualquer protesto no entorno do Palácio do Eliseu, da Praça da Bastilha, de setores próximos ao Parlamento e de pontos turísticos como o Museu do Louvre e a avenida Champs-Élysées.

O ministro do Interior, Laurent Nunez, reconheceu que as autoridades "perderam o controle" dos eventos, causados inicialmente por disputas sobre o aumento de preços e pressões por uma reforma educacional. Em complemento, o primeiro-ministro Sebastien Lecornu informou que um contingente reforçado de policiais será mobilizado para garantir a ordem pública durante as próximas manifestações, previstas também para o fim de semana.

As comemorações estudantis contra a alta de mensalidades e custos de vida se transformaram em ondas de saques, com lojas reviradas, vitrines estilhaçadas e carros incendiados. Mesmo após duas noites de relativa calmaria, a capital exibe marcas de depredação que acenderam o alerta entre comerciantes, moradores e turistas, preocupados com a repetição de cenas de vandalismo.

De fora das fronteiras francesas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu as cenas de violência a "migrantes, jihadistas e comunistas", afirmando que tais grupos teriam "reduzido a França a cinzas". Em campanha para as eleições de meio de mandato, Trump também criticou Macron por não ter fechado as fronteiras após seus alertas sobre imigração.

Em resposta, o presidente Emmanuel Macron acusou líderes internacionais de explorarem politicamente os tumultos e denunciou a circulação de "imagens geradas por inteligência artificial" que teriam retratado eventos fictícios. Segundo ele, esses vídeos alimentaram comentários "inaceitáveis e estúpidos" de diversas autoridades, agravando ainda mais a crise de desinformação.

No início da semana, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu também se pronunciou, mencionando uma suposta "invasão do islamismo extremista" no país. Em campanha para as eleições marcadas em 27 de outubro, Netanyahu segue uma linha semelhante à de Trump, buscando capitalizar o descontentamento popular para reforçar sua base política.

Já em território nacional, a líder da extrema direita, Marine Le Pen, rejeitou as justificativas de Macron e definiu como "conspiratória" a ideia de que imagens teriam sido criadas artificialmente. Para ela, os vídeos divulgados no sábado simplesmente revelam a "triste realidade" de uma França profundamente impactada por dez anos de governo macronista.

Com as atenções voltadas para o pleito presidencial de 2027, que atualmente a coloca como favorita, Marine Le Pen enfrenta a concorrência do candidato de esquerda radical Jean-Luc Mélenchon. Enquanto isso, o governo de Macron busca equilibrar a necessidade de restaurar a ordem com o imperativo de preservar liberdades civis e contornar uma crise de imagem internacional.

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