
Projeção do hatch elétrico derivado do Wuling Bingo Pro, apelidado de “Celta elétrico” (Foto: Instagram)
Ao enfrentar a rápida ascensão das montadoras chinesas no mercado brasileiro, a General Motors adotou a estratégia de parceria com empresas asiáticas para fortalecer sua oferta local. Com investimento de R$ 10,5 bilhões até 2028, a empresa mira produzir até 50 mil veículos por ano na planta multimarcas da Pace, em Horizonte (CE), incluindo o híbrido plug-in Captiva e um compacto elétrico oriundo de kits importados da China.
Há 101 anos presente no País, a GM foi pioneira ao montar automóveis na unidade da Planta Automotiva Cearense (PACE). Em 2026, a montagem desses modelos ganhou novos rumos com a chegada dos elétricos Chevrolet Spark EUV e Captiva EV, resultado direto da colaboração com o mercado chinês e da transferência de tecnologias de propulsão.
Ainda em 2024, a montadora vai lançar no Brasil seu primeiro Chevrolet híbrido plug-in: uma versão da Captiva. O carro simboliza uma mudança de postura da empresa, que antes defendia pular a fase híbrida e ir direto dos motores a combustão para os elétricos puros. "Cada mercado tem sua própria dinâmica, infraestrutura e demandas dos clientes", afirmou o presidente da GM América do Sul, Julio Owsianski.
Em maio, a GM apresentou o Sonic, SUV subcompacto a combustão, que ficou em 31º lugar nas vendas de setembro, com 2,7 mil unidades. Para início de 2027, a marca planeja oferecer uma configuração híbrida leve para o modelo. "O Sonic faz parte de uma ofensiva de produto e tecnologia que está apenas começando", reforçou Owsianski.
Outra aposta é o hatch compacto elétrico, apelidado de "Celta elétrico" pela semelhança urbana com o clássico dos anos 2000. Desenvolvido em parceria com as chinesas Saic Motor e Guangxi Automobile Group a partir do Wuling Bingo Pro, o modelo pode ter produção nacional, segundo o executivo. "Avaliamos o projeto de um hatch elétrico inédito da Chevrolet que pode ampliar nossa linha na região", disse.
Paralelamente, a GM negocia em Brasília o reconhecimento mútuo das normas de segurança norte-americanas (FMVSS) para homologar sistemas brasileiros. O acordo viabilizaria a importação de SUVs de luxo como Cadillac Escalade e picapes pesadas da GMC. "Esse reconhecimento pode abrir espaço para novos produtos por aqui", explicou Owsianski.
Para enfrentar o ambiente cada vez mais competitivo, a companhia aposta em sua rede de cerca de 1.000 concessionárias na América do Sul, garantindo estrutura de pós-venda diferenciada. Além do foco em crescimento com qualidade e rentabilidade, a GM observa também as exportações da fábrica brasileira, que cresceram 15,5% em 2026 e têm meta de alta de 20% para 2027.



