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terça-feira, outubro 20, 2026

Clubes e torcidas organizadas exibem neutralidade política nas eleições

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Torcedores de Corinthians e Palmeiras juntos em ato pró-Lula em São Paulo, em 11 de outubro (Foto: Instagram)

Uma foto de dois torcedores—um do Corinthians e outro do Palmeiras—em ato pró-Lula em 11 de outubro em São Paulo gerou a imagem de um suposto apoio oficial dos clubes às eleições presidenciais. No entanto, apuração do Projeto Comprova mostra que nem as diretorias das agremiações esportivas nem as de suas torcidas organizadas formalizaram qualquer endosso a candidatos. Os homens retratados no registro participaram de forma espontânea, representando convicções pessoais e a atuação de coletivos independentes.

O Projeto Comprova consultou os dez clubes melhor posicionados no Ranking Nacional da CBF: Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Atlético Mineiro, São Paulo, Fluminense, Botafogo, Athletico Paranaense, Bahia e Vasco da Gama. Apenas Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro retornaram. Todos reafirmaram que mantêm estrita neutralidade partidária e que seus estatutos vedam o uso de instalações, símbolos ou marcas para campanhas eleitorais.

Na maioria dos estatutos sociais das principais equipes do país, há cláusulas que determinam caráter laico e apartidário. Essas regras buscam preservar a diversidade ideológica de suas torcidas, impedindo que o clube ou suas diretorias cedam espaços para ações políticas ou façam declarações de apoio a candidatos. As demais sete associações não responderam até a conclusão desta checagem, mas não há registros públicos de manifestações oficiais em favor de Lula ou de seu adversário Flávio Bolsonaro (PL).

As torcidas organizadas também costumam evitar vinculação formal a campanhas. Felipe Tavares Paes Lopes, professor da Unicamp, ressalta que as diretorias preferem blindar a instituição contra retaliações e controvérsias internas, já que o quadro associativo é politicamente heterogêneo. A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) foi contatada, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Os próprios torcedores que viralizaram a foto confirmaram a veracidade do registro. O corintiano Weverton Cruz afirmou que, embora seja associado da Gaviões da Fiel, não exerce função de liderança na diretoria. Ele compareceu ao ato por convicção democrática e em sintonia com o Coletivo Democracia Corinthiana (CDC). Já o palmeirense Bruno Azevedo declarou ter ido ao evento a título individual, buscando reforçar pautas de democracia e combater a desinformação. “A rivalidade precisa ser justa, respeitosa e, mais do que isso, democrática”, disse.

Além das torcidas tradicionais, atuam no Brasil coletivos autônomos e frentes antifascistas que promovem debates sociais dentro e fora dos estádios. Esses grupos utilizam camisetas, bandeiras e faixas para expressar posições políticas pessoais ou coletivas, sem que isso configure aval oficial das torcidas organizadas ou dos clubes. Assim, a presença de símbolos esportivos em manifestações reflete opiniões individuais, não deliberações institucionais.

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