
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) ao lado dos mediadores em debate da Band (Foto: Instagram)
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se enfrentaram diretamente pela primeira vez no domingo, 18, em debate promovido pela Band, já na reta final do segundo turno das eleições presidenciais. Realizado no auditório da emissora e com duração aproximada de 1h40, o encontro foi marcado por trocas de provocações entre os candidatos, intervenções dos mediadores, reação da plateia e até um falso alarme de bomba no encerramento.
Desde o início, provocação virou estratégia. Flávio afirmou que “tem Bolsonaro dentro do Lula”, enquanto o petista chegou a pedir voto para Jair Bolsonaro: “Vota em mim, Bolsonaro”. Em outra situação, o senador chamou o adversário de “malandro carioca” e se solidarizou com os “irmãos e irmãs do Rio de Janeiro” supostamente ofendidos pela expressão. Lula, por sua vez, disse querer distância de “miliciano” ao se referir ao oponente.
Um dos momentos mais lembrados foi quando Flávio Bolsonaro exibiu na palma da mão a palavra “corruPTo”, escrita com caneta, ressaltando as duas letras que lembram o PT, ao rebater questionamentos sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O petista não reagiu diretamente a essa provocação. Antes, Flávio também havia mencionado a presença de Sérgio Moro na plateia, governador eleito do Paraná e responsável pela prisão de Lula, posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a adotar tática semelhante em debates de 2018 e 2022.
Logo após o encerramento, o prédio da Band foi evacuado e inspecionado pela Polícia Militar, por meio do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), devido a uma suspeita de bomba. O alerta partiu de integrantes da equipe de segurança do senador Flávio, vinculados ao Senado Federal. O comandante Vitor Capello Haddad afirmou que se tratou de um falso alarme e seguiu-se o protocolo padrão para garantir a segurança de todos.
Cerca de 100 convidados — incluindo membros das equipes dos candidatos, aliados e jornalistas — acompanharam o debate e foram orientados a ficar em silêncio. Mesmo assim, risos, palmas, vaias e gritos de “Mito” e “Lula” interromperam diversas falas, obrigando mediadores e técnicos a reforçar ordens de silêncio para evitar interferências na transmissão.
No quesito direito de resposta, Lula não fez nenhum pedido formal, enquanto Flávio solicitou cinco e teve um atendido, usando o minuto para defender ações mais duras contra o narcoterrorismo, prometer um “ministério da prosperidade” e enaltecer a favela como “potência”. Durante temas livres, voltaram as farpas: o senador mencionou Lulinha e Roberta Luchsinger, e o petista aludiu ao “careca do INSS”.
Os mediadores Eduardo Oinegue e Adriana Araújo precisaram intervir em vários momentos para conter atropelos e manifestações da plateia. Adriana chegou a interromper o cronômetro para repreender risadas e palmas, enquanto Eduardo solicitou “silêncio e senta plateia” ao final, lembrando que o público não faz parte do debate.



