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quarta-feira, outubro 14, 2026

Cientistas japoneses desenvolvem sangue artificial universal que poderá ser usado em qualquer paciente

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Pesquisadores da Universidade Médica de Nara, no Japão, estão desenvolvendo um sangue artificial que poderá ser utilizado em pacientes de diferentes tipos sanguíneos, sem a necessidade de testes de compatibilidade do sistema ABO antes da transfusão. A tecnologia utiliza hemoglobina encapsulada para transportar oxigênio e busca ampliar o acesso a transfusões, especialmente em situações de emergência e em regiões que enfrentam escassez de doadores.

O diferencial do projeto está na ausência dos antígenos responsáveis pela classificação dos principais grupos sanguíneos. Com isso, os cientistas pretendem criar um produto que possa ser administrado independentemente do tipo sanguíneo do paciente, reduzindo uma das dificuldades enfrentadas pelos serviços de saúde durante atendimentos emergenciais.

A pesquisa ainda está em desenvolvimento, e a possibilidade de utilização universal depende da comprovação de sua segurança e eficácia. Caso os resultados sejam positivos, a tecnologia poderá representar uma alternativa em situações nas quais o sangue proveniente de doações não está disponível.

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A iniciativa também busca responder a um problema enfrentado por diferentes países. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), garantir estoques suficientes e seguros de sangue continua sendo um desafio para os sistemas de saúde. Estimativas da Cruz Vermelha Alemã apontam que aproximadamente 112 milhões de doações são necessárias anualmente em todo o mundo, sendo que uma única coleta pode ajudar até três pessoas em estado grave.

Entretanto, a disponibilidade de sangue não acompanha igualmente as necessidades da população mundial. Cerca de 40% das doações são realizadas em países de alta renda, que representam apenas 16% da população global. Além disso, o transporte internacional é limitado, e o sangue coletado na Europa raramente chega a regiões da África ou da Ásia.
A dificuldade também atinge países com sistemas de saúde estruturados. Na Alemanha, por exemplo, são necessárias aproximadamente 15 mil doações diariamente para atender à demanda.

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Além do projeto japonês, pesquisadores de outros países investigam alternativas para aumentar a disponibilidade de produtos sanguíneos. Entre as possibilidades estudadas estão a produção de glóbulos vermelhos a partir de células-tronco, a utilização de enzimas para modificar características de determinados tipos sanguíneos e o desenvolvimento de células artificiais capazes de permanecer por mais tempo na circulação.

Outra hipótese considerada é o aproveitamento de sangue animal geneticamente modificado. No entanto, diferenças entre as células sanguíneas humanas e animais representam um obstáculo, já que podem provocar reações do sistema imunológico. Os procedimentos necessários para modificar essas estruturas ainda apresentam dificuldades técnicas que impedem sua aplicação clínica.

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