Um levantamento inédito realizado por pesquisadores do Instituto Federal Goiano (IF Goiano) revelou que a contaminação por microplásticos já alcança quase 70% das praias brasileiras. O estudo, publicado na revista Environmental Research, analisou 1.024 praias distribuídas por 17 estados costeiros e identificou fragmentos plásticos — com menos de cinco milímetros — em 69,3% das amostras coletadas.
Os resultados fazem parte do projeto MicroMar, considerado o maior levantamento padronizado do tipo já feito no Brasil e no Sul Global. Ao todo, foram recolhidas 4.134 amostras de areia entre 2022 e 2023, avaliadas em um único laboratório, o que garante uniformidade nos resultados.
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Segundo o coordenador do estudo, professor Guilherme Malafaia, o projeto representa “um marco para o país”. “Pela primeira vez, conseguimos uma visão abrangente e sistemática da contaminação por microplásticos nas praias brasileiras. Isso gera um banco de dados inédito, que pode ser usado de maneiras muito concretas”, afirmou.
O pesquisador Thiarlen Marinho da Luz, doutorando da Universidade Federal de Goiás e primeiro autor do artigo, destaca que o problema vai além da quantidade de partículas encontradas. “A principal mensagem do projeto não é só identificar onde há plástico, mas onde estão os mais perigosos e quais áreas concentram os maiores riscos”, explicou.
Os estados com maiores índices de poluição foram Paraná, Sergipe, São Paulo e Pernambuco. Entre as praias mais afetadas está Barrancos, em Pontal do Paraná, que registrou a impressionante marca de 3.483 fragmentos por quilo de areia, a maior concentração observada no país.
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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) afirmou acompanhar de perto o tema e ressaltou a criação da Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP), lançada em 1º de outubro. Em nota, a pasta informou que a iniciativa busca “prevenir, reduzir e eliminar a poluição por plástico no oceano até 2030”, por meio de ações integradas e multissetoriais.
Os pesquisadores alertam que os microplásticos representam riscos significativos para a biodiversidade marinha, a segurança alimentar e a saúde humana, podendo interferir diretamente nas cadeias ecológicas e econômicas do litoral brasileiro.
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